Criar histórias é uma das experiências mais enriquecedoras no processo de alfabetização. Quando a criança inventa personagens, imagina cenários e organiza acontecimentos, ela desenvolve habilidades que vão muito além da escrita. Aprende a comunicar ideias, ampliar o vocabulário, estabelecer relações entre fatos e construir narrativas com sentido.
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Mas como transformar a produção de histórias em uma atividade envolvente, especialmente para crianças que ainda estão aprendendo a ler e escrever? Uma possibilidade é utilizar recursos visuais que despertem a imaginação e ofereçam pontos de partida para a construção de narrativas.
Pensando nisso, o Conto e Movimento apresenta o Baralho de Cartas para Criar Histórias, um material pedagógico ilustrado que transforma a produção textual em uma experiência lúdica, criativa e participativa.
Com 112 cartas distribuídas em sete páginas, o material reúne personagens encantados, animais, lugares, objetos e elementos surpreendentes que podem ser combinados para dar origem a inúmeras aventuras.
Neste artigo, você conhecerá as possibilidades pedagógicas desse recurso, descobrirá como utilizá-lo em diferentes etapas da alfabetização e encontrará sugestões práticas para transformar suas aulas de produção textual.
O que é o Baralho de Cartas para Criar Histórias?
O Baralho de Cartas para Criar Histórias é um recurso pedagógico formado por cartas ilustradas que apresentam diferentes elementos para a construção de narrativas. Cada carta contém uma imagem colorida acompanhada da palavra que identifica o elemento representado.
O material pode ser utilizado individualmente, em duplas, pequenos grupos ou coletivamente, permitindo que as crianças combinem as cartas para inventar situações, personagens e acontecimentos. Imagine uma criança escolhendo três cartas:
- Um dragão.
- Uma floresta.
- Uma chave.
A partir dessas imagens, ela poderá imaginar um dragão que encontrou uma chave misteriosa enquanto caminhava por uma floresta encantada. O professor poderá ampliar a proposta com perguntas:
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Quem perdeu essa chave? O que ela abre? Por que o dragão estava na floresta? O que acontecerá quando ele descobrir o segredo?
Perceba que três imagens simples podem desencadear uma narrativa com personagens, cenário, conflito e possíveis soluções. Essa é a principal riqueza do recurso: as cartas oferecem estímulos visuais, mas a construção da história pertence à imaginação da criança.
Conheça os elementos presentes no material
O baralho apresenta uma variedade de ilustrações que podem ser organizadas pedagogicamente em diferentes categorias.
1. Personagens e seres fantásticos
Princesa, príncipe, rei, rainha, fada, bruxa, mago, gigante, dragão, sereia, pirata, astronauta, robô e outros personagens que despertam a curiosidade infantil.
2. Animais
Lobo, raposa, urso, coelho, sapo, coruja, cachorro, gato, cavalo, leão, macaco e diversos outros animais que podem assumir diferentes papéis nas histórias.
3. Cenários
Castelo, floresta, caverna, montanha, cachoeira, rio, lago, ponte, praia, deserto, vila, cidade e ilha.
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4. Objetos e elementos mágicos
Coroa, espada, escudo, varinha mágica, livro mágico, poção, chave, baú, mapa, lanterna, espelho e diamante.
5. Elementos de aventura e fantasia
Foguete, submarino, navio, portal, cristal, ampulheta, bússola, tapete mágico e balão.


6. Elementos da natureza e do cotidiano
Sol, lua, nuvem, chuva, arco-íris, guarda-chuva e muito mais.
O material também apresenta conjuntos que favorecem narrativas temáticas, como aventuras de piratas, histórias medievais e situações envolvendo animais. Essa diversidade possibilita explorar gêneros narrativos, ampliar o repertório linguístico e adaptar as propostas às necessidades de cada turma.
Por que trabalhar a criação de histórias na alfabetização?
A alfabetização não deve se limitar ao reconhecimento de letras, à formação de sílabas ou à leitura de palavras isoladas. É fundamental proporcionar situações em que as crianças compreendam a função social da linguagem escrita e percebam que escrever também significa comunicar experiências, sentimentos, ideias e conhecimentos.
Nesse contexto, a produção de narrativas ocupa um lugar importante. Ao inventar uma história, a criança precisa selecionar informações, organizar acontecimentos, estabelecer relações entre personagens e construir uma sequência compreensível para quem escuta ou lê.
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Essas experiências contribuem para o desenvolvimento de competências linguísticas e cognitivas essenciais.
Desenvolvimento da linguagem oral
Antes de registrar uma narrativa por escrito, a criança pode contá-la oralmente. Esse momento permite organizar pensamentos, experimentar palavras e construir frases com maior clareza.
O professor pode incentivar a participação por meio de perguntas que ajudem a ampliar a narrativa. A oralidade também permite que crianças ainda não alfabetizadas participem plenamente da atividade.
Ampliação do vocabulário
As ilustrações apresentam elementos pertencentes a diferentes universos. Palavras como ampulheta, telescópio, bússola, submarino e portal podem despertar curiosidade e gerar conversas sobre seus significados. Ao conhecer novas palavras e utilizá-las em contextos narrativos, a criança amplia seu repertório linguístico.
Organização do pensamento
Toda história apresenta acontecimentos que precisam ser organizados para fazer sentido. Ao trabalhar com início, desenvolvimento e desfecho, a criança começa a compreender relações temporais e causais. Ela aprende que determinados acontecimentos provocam consequências e que uma narrativa precisa apresentar alguma continuidade.
Desenvolvimento da criatividade
A criatividade é estimulada quando a criança encontra oportunidades para imaginar diferentes possibilidades. Uma mesma combinação de cartas pode originar histórias completamente diferentes.
Enquanto uma criança imagina uma aventura, outra poderá construir uma narrativa engraçada ou misteriosa. Não existe apenas uma resposta correta. O importante é incentivar a criação e a expressão de ideias.
Aproximação com a linguagem escrita
A produção oral de histórias pode ser transformada em registros escritos. Inicialmente, o professor poderá atuar como escriba. Posteriormente, as crianças poderão escrever palavras, frases e pequenos textos, conforme suas possibilidades de aprendizagem.
Dessa forma, a escrita aparece em uma situação significativa de comunicação.
Criar histórias e a BNCC: quais habilidades podem ser desenvolvidas?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância das práticas de linguagem que envolvem oralidade, leitura, produção de textos e análise linguística. O trabalho com narrativas permite integrar essas práticas em situações contextualizadas de aprendizagem.
No Ensino Fundamental, especialmente nos anos iniciais, o baralho pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades relacionadas à produção de textos, à construção de sentidos e à compreensão da estrutura narrativa. Entre as habilidades que podem orientar o planejamento, destacam-se:
EF15LP05 — Planejamento de textos
Essa habilidade envolve o planejamento do texto que será produzido, considerando a situação comunicativa, os interlocutores, a finalidade e a organização das ideias. Com o baralho, as crianças podem planejar suas narrativas antes de iniciar o registro escrito. O professor pode ajudá-las a identificar personagens, cenário, acontecimentos e desfecho.
EF15LP06 — Revisão de textos
A habilidade contempla a revisão de textos com a colaboração do professor e dos colegas. Depois de produzir uma história, os estudantes podem reler o texto, verificar se os acontecimentos estão organizados e identificar trechos que precisam ser ampliados ou modificados.
EF15LP09 — Expressão oral
Essa habilidade está relacionada à expressão oral em situações de intercâmbio, com clareza e adequação à comunicação. A apresentação das histórias para os colegas favorece a organização da fala e a comunicação de ideias.
EF35LP25 — Produção de narrativas ficcionais
Indicada para o 3º ao 5º ano, essa habilidade contempla a criação de narrativas ficcionais com certa autonomia, utilizando elementos da estrutura narrativa, como personagens, cenário, enredo e marcadores de tempo e espaço. O baralho pode servir como ponto de partida para propostas de produção textual mais elaboradas.
Importante: o professor deve selecionar as habilidades da BNCC considerando o ano escolar, o nível de aprendizagem e os objetivos específicos da atividade. As habilidades apresentadas são possibilidades de articulação pedagógica, não uma indicação de que todas devam ser trabalhadas simultaneamente.
Para consultar a BNCC completa e outras possibilidades de aplicação pedagógica, vale conferir o conteúdo disponível no blog: Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na prática escolar (disponível para download gratuito).
Como utilizar o Baralho de Cartas para Criar Histórias na sala de aula?
O material pode ser explorado de diferentes maneiras, desde propostas simples de oralidade até produções escritas mais elaboradas.
Antes de iniciar, recomenda-se imprimir as cartas, recortá-las e, se possível, plastificá-las para aumentar sua durabilidade. As cartas podem ser organizadas em caixas, envelopes ou saquinhos, facilitando a utilização em diferentes momentos da rotina escolar.
1. História com três cartas
Essa é uma das propostas mais simples para iniciar o trabalho.
Objetivo: desenvolver a oralidade, a imaginação e a organização de acontecimentos.
Como desenvolver:
Organize as cartas em três grupos: personagens, cenários e objetos. Peça que cada criança escolha uma carta de cada grupo. Em seguida, apresente o desafio:
“Agora você vai inventar uma história utilizando os três elementos que escolheu!”
Por exemplo:
- Personagem: coelho.
- Cenário: floresta.
- Objeto: relógio.
A criança poderá imaginar um coelho que encontrou um relógio mágico na floresta e descobriu que poderia viajar no tempo. Após a apresentação oral, proponha um registro por meio de desenho, frases ou pequenos textos.
Possibilidade de ampliação: solicitar que os estudantes criem um título para a narrativa.
2. História coletiva com cartas-surpresa
Objetivo: estimular a cooperação, a escuta e a continuidade narrativa.
Organize os estudantes em uma roda e coloque as cartas em uma caixa. O primeiro participante retira uma carta e inicia uma história. O segundo retira outra carta e acrescenta um acontecimento relacionado à imagem sorteada.
A atividade continua até que todos tenham participado. O professor poderá registrar a narrativa no quadro, ajudando a turma a organizar os acontecimentos.
Ao final, os estudantes podem escolher coletivamente um título e produzir ilustrações para acompanhar o texto. Essa proposta é especialmente interessante porque demonstra que uma história pode ser construída por diferentes autores.
3. O personagem misterioso
Objetivo: desenvolver a descrição oral e escrita.
Cada estudante escolhe uma carta de personagem sem mostrá-la aos colegas. Em seguida, apresenta características que permitam identificar o personagem.
Por exemplo:
“Ele mora no mar, tem uma cauda e aparece em muitas histórias de fantasia.”
Os colegas deverão descobrir qual personagem está sendo descrito. Depois, o professor pode propor a escrita de pequenas descrições.
Para estudantes em níveis iniciais de alfabetização, a atividade pode ser adaptada com palavras-chave ou frases curtas.
4. O objeto que mudou a história
Objetivo: compreender a relação entre acontecimentos e consequências.
Apresente uma narrativa curta e interrompa a história em um momento de conflito. Em seguida, sorteie uma carta de objeto. O desafio será continuar a narrativa incorporando o objeto sorteado.
Imagine que uma princesa está perdida em uma floresta. A carta sorteada é uma bússola. Como esse objeto poderá ajudá-la? A bússola funcionará normalmente? Poderá indicar um caminho misterioso?
A proposta incentiva a criança a estabelecer relações entre elementos e construir soluções criativas.
5. Uma história, diferentes finais
Objetivo: explorar possibilidades de desfecho e desenvolver a criatividade.
Apresente uma combinação de cartas e construa coletivamente o início de uma narrativa. Depois, divida a turma em grupos. Cada grupo deverá inventar um final diferente para a mesma história.
Ao compartilhar as produções, os estudantes perceberão que uma narrativa pode apresentar diferentes soluções. O professor poderá explorar finais felizes, engraçados, surpreendentes ou misteriosos.
Sequência didática: Pequenos Autores, Grandes Histórias
Para ampliar as possibilidades do baralho, apresentamos uma sequência didática que pode ser desenvolvida ao longo de cinco aulas.
Público-alvo: turmas em processo de alfabetização, com adaptações para diferentes níveis de escrita.
Objetivo geral: desenvolver a oralidade, a criatividade e a produção de narrativas por meio de cartas ilustradas.
Aula 1 — Descobrindo o universo das histórias
Inicie com uma roda de conversa sobre histórias conhecidas pelas crianças. Pergunte:
- Quais histórias vocês mais gostam de ouvir?
- Toda história precisa ter personagens?
- Onde uma história pode acontecer?
- O que torna uma aventura interessante?
Depois, apresente o baralho e permita que os estudantes observem as ilustrações. Explore os nomes dos elementos e incentive a identificação de personagens, lugares e objetos.
Nesse primeiro momento, o foco será a familiarização com o material e a ampliação do repertório oral.
Aula 2 — Construindo personagens e cenários
Organize as cartas em categorias. Peça que os estudantes escolham um personagem e um cenário. Em seguida, proponha perguntas que ajudem a construir características para o personagem. Como ele se chama? Onde mora? Do que gosta? Qual é seu maior desejo? Tem algum problema que precisa resolver?
As respostas poderão ser registradas em uma ficha de planejamento. Para crianças que ainda não escrevem convencionalmente, o registro poderá ocorrer por meio de desenhos e escrita espontânea.
Aula 3 — Inventando acontecimentos
Retome os personagens e cenários criados na aula anterior. Acrescente uma carta de objeto ou elemento fantástico. Explique que esse novo elemento deverá provocar algum acontecimento importante. O professor poderá apresentar a seguinte organização:
Início: apresentação do personagem e do lugar.
Desenvolvimento: surgimento de um acontecimento ou problema.
Desfecho: solução da situação e encerramento da narrativa.
Utilize perguntas para ajudar os estudantes a organizar suas ideias. O que aconteceu primeiro? Qual foi o problema? Como o personagem tentou resolvê-lo? O que aconteceu no final?
Aula 4 — Produzindo nossas histórias
Chegou o momento de transformar as ideias em textos. A organização dependerá do nível de aprendizagem da turma. Os estudantes poderão produzir narrativas coletivas, escrever em duplas ou realizar registros individuais.
O professor deverá acompanhar as produções, oferecendo intervenções adequadas. Nesse momento, é importante valorizar a autoria e incentivar as crianças a escrever, sem transformar a atividade em uma simples cópia de modelos prontos.
Após a primeira versão, proponha uma revisão orientada. Verifique com a turma se a história apresenta título, personagens, acontecimentos compreensíveis e um desfecho.
Aula 5 — Nossa primeira coletânea de histórias
Organize um momento de socialização das produções. Cada estudante ou grupo poderá apresentar sua história aos colegas.
Depois, reúna os textos e as ilustrações em uma coletânea. Uma sugestão é criar um livro coletivo com o título:
“Pequenos Autores, Grandes Aventuras”
O livro poderá integrar o cantinho da leitura, circular entre as famílias ou ser apresentado em uma exposição escolar. Essa etapa valoriza a produção das crianças e demonstra que seus textos possuem leitores reais.
Como adaptar as atividades aos diferentes níveis de alfabetização?
Um dos principais benefícios do baralho é a possibilidade de adaptação. O mesmo recurso pode ser utilizado com crianças que ainda não dominam o sistema de escrita alfabética e com estudantes que já produzem textos com maior autonomia. O que muda é a complexidade da proposta e o tipo de intervenção pedagógica.
Crianças em hipóteses pré-silábicas de escrita
Nesse momento, priorize a oralidade, a observação das imagens e a construção de narrativas coletivas. As crianças podem escolher cartas, nomear elementos, inventar acontecimentos e representar suas histórias por meio de desenhos.
O professor poderá atuar como escriba, registrando os textos produzidos oralmente. Também é possível explorar a identificação de letras iniciais e a comparação entre palavras presentes nas cartas.
Crianças em hipóteses silábicas
Proponha atividades que relacionem as imagens às palavras escritas. As crianças poderão selecionar personagens, registrar seus nomes de acordo com suas hipóteses de escrita e produzir pequenas legendas.
Outra possibilidade é organizar uma narrativa oral e escolher palavras importantes para registrar. O professor poderá propor reflexões sobre a relação entre sons e letras, respeitando o processo de aprendizagem.
Crianças em hipóteses silábico-alfabéticas
Nesse estágio, incentive a produção de frases relacionadas às cartas escolhidas. Os estudantes poderão construir pequenos textos com apoio de perguntas orientadoras. Também é possível utilizar conectivos simples, como “depois”, “então” e “por fim”, para organizar os acontecimentos.
Crianças com escrita alfabética
Para estudantes que já compreenderam o funcionamento básico do sistema de escrita alfabética, amplie os desafios. Proponha histórias com mais personagens, conflitos e acontecimentos.
Incentive a utilização de diálogos, descrições, marcadores temporais e diferentes formas de iniciar e encerrar narrativas. A revisão textual poderá contemplar aspectos de pontuação, segmentação de palavras, ortografia e organização dos parágrafos, conforme os conhecimentos já trabalhados.
É importante lembrar que as hipóteses de escrita não devem ser utilizadas como rótulos fixos. Elas servem para orientar intervenções e acompanhar os avanços de cada estudante.
Criar histórias também favorece a consciência fonológica?
Sim, desde que o professor proponha intervenções específicas relacionadas aos sons da fala. O baralho oferece palavras e imagens que podem ser utilizadas em atividades de reflexão fonológica.
Por exemplo, o professor poderá selecionar as cartas SAPO, SEREIA e SOL. Em seguida, convidará as crianças a perceberem semelhanças sonoras no início dessas palavras.
Outra possibilidade é trabalhar a segmentação oral de palavras em sílabas. Utilizando as cartas, os estudantes poderão identificar e contar as sílabas de palavras como:
- GATO — GA-TO.
- PIRATA — PI-RA-TA.
- CASTELO — CAS-TE-LO.
- BORBOLETA — BOR-BO-LE-TA, caso a palavra seja acrescentada à atividade.
Também é possível propor brincadeiras com rimas, identificação de sons iniciais e comparação entre palavras. Essas atividades complementam o trabalho narrativo, mas não substituem o ensino sistemático das relações entre fonemas e grafemas.
Outras possibilidades criativas com o baralho
O recurso pode fazer parte de diferentes momentos da rotina escolar.
Cantinho da escrita criativa
Organize um espaço com cartas, folhas, lápis, fichas de planejamento e pequenos livros. Durante momentos de atividade autônoma, os estudantes poderão selecionar cartas e produzir suas próprias narrativas.
Desafio da história impossível
Escolha três ou quatro cartas aparentemente sem relação. Por exemplo:
- Astronauta.
- Castelo.
- Sorvete.
- Submarino.
O desafio será criar uma narrativa em que todos os elementos apareçam de maneira coerente. A atividade favorece a flexibilidade do pensamento e estimula soluções criativas.
Histórias em quadrinhos
Depois de inventar uma narrativa, os estudantes poderão transformá-la em uma história em quadrinhos. O professor poderá explorar a organização dos acontecimentos em cenas, a utilização de balões de fala e a relação entre imagem e texto.
Teatro de histórias
As narrativas criadas com o baralho também podem ser dramatizadas. Os estudantes poderão representar personagens, organizar pequenos diálogos e utilizar objetos simples como elementos de cena. Essa proposta amplia as oportunidades de expressão oral, corporal e artística.
Troca de personagens
Peça que os estudantes escolham uma história conhecida. Depois, sorteie uma nova carta de personagem. Como seria a história de Chapeuzinho Vermelho se a protagonista fosse uma astronauta? E se o lobo fosse substituído por um dragão? A proposta estimula a recriação de narrativas e permite discutir como a mudança de um elemento interfere no enredo.
Histórias com desafios de vocabulário
Selecione palavras menos familiares presentes no baralho, como ampulheta, bússola ou telescópio. Converse sobre seus significados e proponha que as crianças utilizem esses elementos em pequenas narrativas. Essa atividade favorece a ampliação vocabular e a construção de sentidos em contextos significativos.
Como avaliar a aprendizagem durante a produção de histórias?
A avaliação deve acompanhar o processo de construção das narrativas, considerando os avanços individuais e as possibilidades de cada criança. Mais do que observar erros ortográficos, é importante analisar como os estudantes organizam e comunicam suas ideias. O professor poderá considerar aspectos como:
- Participação nas atividades orais.
- Capacidade de identificar personagens e cenários.
- Organização de acontecimentos em sequência.
- Construção de relações entre os elementos sorteados.
- Ampliação do vocabulário.
- Desenvolvimento da autonomia na escrita.
- Capacidade de revisar e melhorar suas produções.
Uma estratégia interessante é organizar um portfólio com os registros produzidos ao longo das atividades. Assim, será possível acompanhar a evolução das narrativas, desde os primeiros desenhos e relatos orais até produções escritas mais elaboradas. Também é importante oferecer devolutivas que valorizem as conquistas e indiquem caminhos para novas aprendizagens.
Por que utilizar recursos lúdicos na produção textual?
O trabalho com a escrita precisa apresentar desafios significativos, mas também pode envolver curiosidade, imaginação e prazer. Quando a produção textual é apresentada apenas como uma tarefa obrigatória, algumas crianças podem demonstrar insegurança ou dificuldade para iniciar seus registros.
Os recursos lúdicos ajudam a criar situações mais convidativas. No caso do baralho, as imagens funcionam como estímulos para a elaboração de ideias. A criança não precisa começar diante de uma folha em branco sem referências. Ela encontra personagens, lugares e objetos que podem inspirar os primeiros acontecimentos. Entretanto, é importante compreender que o material, por si só, não garante o desenvolvimento da escrita.
O aprendizado acontece por meio da interação entre o recurso, a proposta pedagógica e as intervenções intencionais do professor.
Por isso, as atividades devem contemplar momentos de planejamento, produção, compartilhamento e revisão. O baralho torna a experiência mais dinâmica, enquanto a mediação docente transforma a brincadeira em uma oportunidade efetiva de aprendizagem.
Dica pedagógica: mantenha algumas cartas disponíveis no cantinho da leitura ou da escrita. Assim, o material poderá ser utilizado não apenas em atividades dirigidas, mas também em momentos de exploração espontânea.
Perguntas frequentes sobre criar histórias na alfabetização
Como ensinar crianças que ainda não sabem escrever a criar histórias?
O primeiro passo é valorizar a produção oral. As crianças podem selecionar cartas, inventar personagens e contar acontecimentos com o apoio de perguntas. O professor poderá registrar a narrativa como escriba, demonstrando como a linguagem oral pode ser transformada em texto escrito.
Quantas cartas devem ser utilizadas em cada atividade?
Para crianças menores ou que estão iniciando a construção de narrativas, três cartas costumam oferecer um bom ponto de partida: personagem, cenário e objeto. Conforme a turma desenvolve maior autonomia, o professor poderá ampliar a quantidade de cartas e propor desafios mais complexos.
O baralho pode ser utilizado na Educação Infantil?
Sim. O material pode ser explorado em rodas de conversa, brincadeiras de faz de conta, contação de histórias e produções coletivas. Na Educação Infantil, o foco deve estar nas experiências de oralidade, imaginação, interação e expressão, respeitando os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dessa etapa.
Como trabalhar produção textual com estudantes que apresentam dificuldades de escrita?
É importante oferecer diferentes formas de participação. O estudante poderá contar a história oralmente, organizar imagens, desenhar acontecimentos ou produzir frases com apoio. O professor deverá ajustar a complexidade da proposta e realizar intervenções que favoreçam avanços progressivos.
Quais habilidades são desenvolvidas ao criar histórias com cartas ilustradas?
As atividades podem contribuir para o desenvolvimento da linguagem oral, ampliação do vocabulário, criatividade, organização temporal, compreensão narrativa, planejamento textual e produção escrita. As habilidades efetivamente desenvolvidas dependerão dos objetivos, das intervenções e das experiências propostas pelo professor.
Conclusão: pequenas cartas, grandes possibilidades de aprendizagem
Criar histórias é uma oportunidade de colocar a criança no centro do processo de aprendizagem, valorizando sua imaginação, sua voz e sua capacidade de produzir sentidos.
O Baralho de Cartas para Criar Histórias, do Conto e Movimento, oferece um universo de possibilidades para transformar a produção textual em uma experiência mais dinâmica e significativa. Com 112 cartas ilustradas, o professor pode organizar rodas de conversa, narrativas coletivas, desafios de escrita, dramatizações, histórias em quadrinhos e muitas outras propostas.
Mais do que oferecer imagens para inventar aventuras, o material possibilita desenvolver habilidades importantes para a alfabetização, respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem. Ao planejar atividades que integrem oralidade, leitura e escrita, o professor contribui para que as crianças percebam que suas ideias merecem ser compartilhadas e registradas.
E quando uma criança descobre que pode ser autora de suas próprias histórias, a escrita ganha um significado especial.
Leve essa proposta para sua sala de aula e descubra quantas aventuras podem nascer de uma simples combinação de cartas!
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Um forte abraço, Eliene e Leticia – Conto e Movimento!

Leticia Borges e Eliene Andrade são duas professoras apaixonadas pela educação, pela criação de materiais didáticos e pela construção de uma escola mais criativa, inclusiva e verdadeiramente significativa. Unidas pelo desejo de transformar práticas pedagógicas, partilham experiências, reflexões e recursos que inspiram educadores. Para além da sala de aula, também se aventuram no universo da literatura infantil, sendo autoras de obras como Bruxolina Narizé e Vicente e o Resgate, que encantam crianças e promovem a imaginação e o gosto pela leitura.






