Quando o assunto é alfabetização na educação infantil, uma dúvida aparece com frequência entre professores e famílias: afinal, a criança precisa sair da Educação Infantil sabendo ler e escrever?
A resposta exige cuidado. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta uma concepção de Educação Infantil centrada nas interações e nas brincadeiras, garantindo às crianças direitos de aprendizagem e desenvolvimento e experiências que favoreçam seu desenvolvimento integral.
Isso não significa deixar a linguagem escrita de lado. Pelo contrário. A BNCC destaca que, desde cedo, as crianças demonstram curiosidade pela cultura escrita.
Ao ouvir histórias, observar livros, entrar em contato com diferentes textos e perceber a escrita presente no cotidiano, elas começam a construir conhecimentos sobre a linguagem e seus usos sociais.
Por isso, trabalhar leitura e escrita nessa etapa não significa transformar a Educação Infantil em uma antecipação do Ensino Fundamental. Significa criar experiências significativas de oralidade, literatura, leitura e escrita, respeitando o desenvolvimento, os interesses e as formas de expressão de cada criança.
Neste artigo, vamos entender o que a BNCC estabelece, quais objetivos de aprendizagem estão relacionados à linguagem escrita e como o professor pode transformar essas orientações em práticas pedagógicas concretas.
O que a BNCC diz sobre alfabetização na Educação Infantil?
A primeira questão importante é compreender que a BNCC organiza a Educação Infantil de maneira diferente do Ensino Fundamental.
Na Educação Infantil, a organização curricular acontece a partir de:
- direitos de aprendizagem e desenvolvimento;
- campos de experiências;
- objetivos de aprendizagem e desenvolvimento;
- interações e brincadeiras como eixos estruturantes.
A BNCC estabelece seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Também define cinco campos de experiências, entre eles “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, diretamente relacionado às experiências com linguagem, literatura, oralidade e escrita.
Assim, ao falar sobre alfabetização nessa etapa, é mais adequado pensar em aproximação e participação na cultura escrita, construção de hipóteses, desenvolvimento da oralidade, contato com diferentes gêneros textuais e formação do leitor.
A BNCC afirma que, desde cedo, a criança observa os textos que circulam em seu contexto familiar, comunitário e escolar e vai construindo sua concepção sobre a língua escrita.
A Educação Infantil deve ensinar a ler e escrever?
Essa pergunta precisa ser respondida sem extremos. A Educação Infantil pode e deve proporcionar experiências com leitura e escrita. Porém, isso não significa que o trabalho pedagógico precise reproduzir o modelo de alfabetização sistemática próprio do Ensino Fundamental.
A criança pode:
- ouvir histórias diariamente;
- manusear livros;
- observar diferentes tipos de textos;
- reconhecer o próprio nome;
- perceber letras em situações significativas;
- brincar com rimas e palavras;
- produzir escritas espontâneas;
- ditar textos para o professor;
- criar histórias;
- interpretar imagens;
- explorar diferentes suportes de escrita;
- observar como a escrita funciona em situações reais.
Essas experiências ajudam a criança a compreender progressivamente que a escrita possui funções sociais e representa a linguagem.
A própria BNCC destaca que as crianças constroem hipóteses sobre a escrita que podem aparecer inicialmente em rabiscos e garatujas e, posteriormente, em escritas espontâneas não convencionais.
Portanto, uma produção que ainda não corresponde à escrita convencional não deve ser automaticamente vista como erro. Ela pode revelar aquilo que a criança está pensando sobre o sistema de escrita.
O campo de experiências “Escuta, fala, pensamento e imaginação”
Quando planejamos atividades relacionadas à linguagem na Educação Infantil, esse campo de experiências merece atenção especial.
A BNCC explica que as crianças participam de situações comunicativas desde o nascimento. Aos poucos, ampliam seu vocabulário e seus recursos de expressão e compreensão. Por isso, a escola deve criar situações nas quais possam falar, ouvir, contar, narrar, imaginar e participar da cultura oral.
Esse trabalho não acontece somente durante uma atividade de linguagem. Ele pode estar presente:
- na roda de conversa;
- na contação de histórias;
- nas cantigas;
- nas brincadeiras;
- na exploração de livros;
- na organização da rotina;
- na produção de cartazes;
- na elaboração de listas;
- nos registros coletivos;
- nas brincadeiras de faz de conta.
A linguagem está presente em praticamente todas as experiências da criança.
Como a BNCC aborda a cultura escrita?
A BNCC valoriza a inserção da criança na cultura escrita de maneira contextualizada. Isso significa que a escrita deve aparecer em situações que tenham significado para ela.
Em vez de apresentar somente fichas para copiar letras, o professor pode perguntar:
“O que está escrito aqui?”
“Para que serve este cartaz?”
“Onde está o nome do personagem?”
“Como podemos escrever uma lista dos materiais que precisamos?”
“O que podemos escrever para avisar as famílias?”
Essas situações aproximam a criança da escrita como prática social.
A BNCC afirma que o contato com a literatura favorece o gosto pela leitura, estimula a imaginação e amplia o conhecimento de mundo. O contato com diferentes gêneros também ajuda a criança a se familiarizar com livros, reconhecer a diferença entre ilustrações e escrita e compreender aspectos da organização dos textos.
Quais objetivos da BNCC estão relacionados à leitura e escrita?
Para as crianças pequenas, de 4 anos a 5 anos e 11 meses, a BNCC apresenta diversos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento no campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”.
Entre eles estão objetivos diretamente relacionados à leitura e à escrita.
EI03EF01 – Expressar ideias, desejos e sentimentos
O objetivo EI03EF01 propõe que a criança expresse ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências por meio da linguagem oral e escrita, incluindo a escrita espontânea, além de fotografias, desenhos e outras formas de expressão.
Na prática, isso pode acontecer quando a criança:
- registra algo que aconteceu;
- escreve espontaneamente seu nome;
- cria uma legenda para um desenho;
- conta uma experiência;
- produz uma mensagem com ajuda do professor;
- representa uma ideia utilizando diferentes linguagens.
EI03EF02 – Brincar com rimas, sons e palavras
O objetivo EI03EF02 envolve a criação de brincadeiras cantadas, poemas e canções, explorando rimas, aliterações e ritmos.
Essa proposta é especialmente rica porque permite trabalhar a linguagem de forma lúdica. Parlendas, cantigas, poemas e brincadeiras com palavras podem ajudar a criança a perceber:
- sons semelhantes;
- repetições;
- ritmo;
- rimas;
- palavras;
- diferentes formas de expressão oral.
EI03EF03 – Escolher e folhear livros
O objetivo EI03EF03 propõe que a criança escolha e folheie livros, orientando-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas.
Esse objetivo mostra a importância de oferecer acesso real aos livros.
Não basta deixar livros em uma estante. É importante permitir que a criança escolha, manuseie, observe, faça perguntas e compartilhe suas interpretações.
EI03EF04 – Recontar histórias
No objetivo EI03EF04, a criança é incentivada a recontar histórias ouvidas e a participar do planejamento coletivo de roteiros para vídeos e encenações.
O reconto é uma excelente estratégia pedagógica. Depois de ouvir uma história, a turma pode:
- identificar os personagens;
- conversar sobre o começo da narrativa;
- lembrar os acontecimentos;
- organizar a sequência;
- recontar oralmente;
- dramatizar;
- produzir um registro coletivo.
Assim, leitura, oralidade, imaginação e escrita podem ser trabalhadas de maneira integrada.
EI03EF05 – Produzir reconto escrito com o professor como escriba
O objetivo EI03EF05 propõe que a criança reconte histórias ouvidas para a produção de um reconto escrito, tendo o professor como escriba.
Esse é um ponto muito importante. O professor pode escrever aquilo que as crianças dizem.
Por exemplo:
Professor: “O que aconteceu depois que o personagem encontrou a floresta?”
As crianças respondem. O professor registra as ideias no quadro ou em um cartaz e, posteriormente, lê o texto produzido coletivamente.
Dessa maneira, a criança percebe uma relação fundamental: aquilo que falamos pode ser registrado por meio da escrita e depois pode ser lido.
EI03EF06 – Produzir histórias por meio da escrita espontânea
O objetivo EI03EF06 estabelece que a criança pode produzir suas próprias histórias orais e escritas, utilizando a escrita espontânea em situações com função social significativa.
Aqui aparece uma oportunidade muito rica para o professor observar como cada criança pensa sobre a escrita.
Uma criança pode escrever utilizando letras convencionais. Outra pode misturar letras, desenhos e outros sinais. Outra pode escrever poucas letras para representar uma palavra.
Em vez de simplesmente corrigir, o professor pode observar, perguntar e registrar o percurso de aprendizagem.
A BNCC valoriza a escrita espontânea?
Sim. A escrita espontânea aparece explicitamente nos objetivos da Educação Infantil.
O objetivo EI03EF09, por exemplo, propõe que as crianças levantem hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos por meio de escrita espontânea.
Isso traz uma importante orientação para a prática pedagógica. A criança precisa ter oportunidades para tentar escrever.
Ela pode escrever:
- o próprio nome;
- nomes dos colegas;
- personagens;
- títulos de histórias;
- listas;
- pequenas mensagens;
- palavras relacionadas a um projeto;
- legendas para desenhos;
- histórias inventadas.
O professor não precisa esperar que a criança domine o sistema alfabético para permitir que ela escreva. Ao contrário: as tentativas fazem parte do processo de construção de conhecimentos.
E os diferentes gêneros textuais?
A BNCC também incentiva o contato com diferentes gêneros e portadores textuais.
Para as crianças pequenas, o objetivo EI03EF07 propõe levantar hipóteses sobre gêneros textuais presentes em portadores conhecidos, utilizando estratégias de observação gráfica e/ou leitura.
Isso abre inúmeras possibilidades. Na sala de aula, o professor pode apresentar:
- livros;
- convites;
- listas;
- receitas;
- cartazes;
- bilhetes;
- parlendas;
- poemas;
- histórias;
- revistas;
- jornais;
- cardápios;
- regras de brincadeiras.
A intenção não é transformar cada gênero em uma aula formal. O objetivo é fazer com que a criança perceba que a escrita circula socialmente e possui diferentes funções.
A literatura infantil tem papel importante nesse processo?
Sim. A literatura ocupa um espaço privilegiado na construção de experiências com linguagem.
A BNCC destaca que as experiências com literatura infantil contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, estimulam a imaginação e ampliam o conhecimento de mundo. (Leia também Literatura Infantil na Alfabetização: Como Transformar Histórias em Aprendizagem)
Por isso, a leitura diária pode fazer parte da rotina da Educação Infantil. O professor pode criar um momento especial para:
- apresentar a capa;
- conversar sobre o título;
- observar as ilustrações;
- levantar hipóteses;
- realizar a leitura;
- fazer perguntas;
- conversar sobre os personagens;
- recontar a história;
- criar finais diferentes;
- dramatizar;
- produzir desenhos;
- registrar frases coletivas.
A criança não precisa necessariamente ler convencionalmente para participar ativamente de uma experiência de leitura. Ela pode antecipar acontecimentos, interpretar imagens, recontar trechos, comentar personagens e demonstrar compreensão da narrativa.
Alfabetização na Educação Infantil deve acontecer por meio de fichas?
Não necessariamente. As fichas podem ser utilizadas como um recurso complementar, desde que façam sentido dentro do planejamento.
Porém, reduzir o trabalho com linguagem a atividades de:
- cobrir pontilhados;
- copiar letras;
- repetir sílabas;
- preencher linhas;
- pintar letras;
Isso pode limitar as possibilidades de aprendizagem. A proposta da BNCC é mais ampla. A criança precisa vivenciar diferentes linguagens, interagir, brincar, ouvir histórias, explorar textos, conversar, criar narrativas e produzir registros.
Uma atividade de escrita pode ser muito mais significativa quando surge de uma situação real. Por exemplo, depois de ler uma história sobre animais, a turma pode produzir coletivamente uma lista: ANIMAIS DA HISTÓRIA
Depois, cada criança pode tentar registrar individualmente o nome do animal de sua preferência. Assim, a escrita nasce de uma experiência vivenciada.
7 ideias práticas para trabalhar linguagem e escrita na Educação Infantil
1. Caixa dos nomes
Coloque os nomes das crianças em cartões. Durante a rotina, cada criança pode procurar seu nome, comparar com o nome dos colegas e observar letras conhecidas.
2. Lista coletiva
Após uma atividade, construam uma lista juntos. Pode ser:
LISTA DE FRUTAS
LISTA DE BRINQUEDOS
LISTA DE PERSONAGENS
O professor atua como escriba enquanto as crianças participam da produção.
3. Produção de histórias
Apresente três ou quatro imagens em sequência. Peça que as crianças inventem uma história.
Depois, registre coletivamente a narrativa.
4. Cantinho da leitura
Organize livros acessíveis às crianças. Permita que escolham os títulos, observem as capas, folheiem as páginas e contem histórias a partir das imagens.
5. Correio da turma
Crie uma pequena caixa de correio. As crianças podem produzir bilhetes, desenhos e mensagens para os colegas.
6. Parlendas e cantigas
Utilize textos conhecidos pelas crianças para brincar com rimas, sons, repetições e ritmo. Depois, explore palavras que aparecem nesses textos.
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7. Escrita espontânea
Proponha situações em que a criança tenha um motivo real para escrever.
Por exemplo:
“Escreva o nome do personagem que você mais gostou.”
“Tente escrever o nome do brinquedo escolhido.”
“Faça um convite para a nossa roda de histórias.”
O objetivo é valorizar a tentativa e observar as hipóteses construídas pela criança.
O que o professor deve observar?
O acompanhamento precisa considerar o percurso individual da criança. Alguns aspectos que podem ser observados são:
- participação nas rodas de conversa;
- ampliação do vocabulário;
- capacidade de narrar experiências;
- interesse por histórias;
- escolha de livros;
- compreensão de narrativas;
- reconhecimento de palavras conhecidas;
- identificação do próprio nome;
- interesse pelas letras;
- produção de escritas espontâneas;
- uso de diferentes suportes de escrita;
- capacidade de criar histórias;
- compreensão da função social dos textos.
Essas observações podem ser registradas em relatórios, portfólios e outros instrumentos utilizados pela escola.
A Educação Infantil prepara para o Ensino Fundamental?
Sim, mas é importante compreender o que isso significa. A BNCC orienta que a transição entre Educação Infantil e Ensino Fundamental seja realizada garantindo continuidade das aprendizagens e respeitando aquilo que a criança já sabe e é capaz de fazer.
A BNCC apresenta ainda uma síntese das aprendizagens esperadas ao final da Educação Infantil.
No campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, essa síntese inclui expressar ideias e sentimentos, argumentar e relatar fatos oralmente, ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas, além de conhecer diferentes gêneros e portadores textuais e compreender a função social da escrita.
Mas existe uma informação fundamental: essas aprendizagens não são apresentadas como condição ou pré-requisito para a entrada no Ensino Fundamental.
A própria BNCC afirma que a síntese deve funcionar como elemento balizador e indicativo dos objetivos a serem explorados, e não como requisito para o acesso à etapa seguinte. Essa orientação é muito importante para evitar a pressão por resultados padronizados na Educação Infantil.
Como planejar atividades alinhadas à BNCC?
Um bom planejamento pode começar por uma situação significativa. Por exemplo:
Tema: Literatura infantil
Situação: leitura de uma história
Objetivo: ampliar experiências de escuta, oralidade e escrita
Campo de experiências: Escuta, fala, pensamento e imaginação
Faixa etária: crianças pequenas
Possíveis objetivos: EI03EF03, EI03EF04, EI03EF05, EI03EF06 e EI03EF09.
Depois da leitura, o professor pode organizar uma conversa, propor o reconto coletivo, registrar a narrativa como escriba e oferecer uma situação de escrita espontânea. Assim, uma única experiência pode envolver diferentes aprendizagens.
É importante lembrar que os códigos da BNCC servem para identificar os objetivos. A numeração não indica uma ordem hierárquica de desenvolvimento.
O que evitar ao trabalhar alfabetização na Educação Infantil?
Algumas práticas podem transformar uma experiência que deveria ser significativa em uma atividade excessivamente mecânica. É importante evitar:
- exigir que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo;
- considerar a escrita não convencional simplesmente como erro;
- transformar a rotina em exercícios repetitivos de cópia;
- substituir brincadeiras por longas atividades sentadas;
- cobrar leitura convencional como requisito;
- trabalhar letras isoladamente sem contexto;
- utilizar somente fichas e atividades impressas;
- comparar publicamente as produções das crianças.
A BNCC defende uma concepção de desenvolvimento integral e reconhece a criança como sujeito de aprendizagem. Por isso, o planejamento precisa combinar intencionalidade pedagógica, interação, brincadeira, literatura e experiências concretas.
Afinal, qual é o papel da alfabetização na Educação Infantil?
O papel principal é aproximar a criança da linguagem em suas diferentes formas e da cultura escrita, criando condições para que ela desenvolva conhecimentos, curiosidade, autonomia e interesse pela leitura e pela escrita.
Isso não significa antecipar todas as aprendizagens do Ensino Fundamental. Significa permitir que a criança descubra que:
- livros contam histórias;
- textos têm diferentes funções;
- palavras podem ser registradas;
- histórias podem ser criadas;
- aquilo que falamos pode ser escrito;
- aquilo que está escrito pode ser lido;
- letras fazem parte de diferentes situações do cotidiano;
- a escrita está presente em nossa vida social.
Quando o professor trabalha dessa maneira, a aprendizagem acontece de forma contextualizada e significativa.
Conclusão
Compreender o que a BNCC diz sobre alfabetização na educação infantil é essencial para que o professor possa planejar experiências que respeitem a infância e, ao mesmo tempo, promovam avanços importantes na linguagem.
A proposta não é simplesmente ensinar letras, sílabas e palavras de maneira antecipada.
É muito mais ampla.
A criança precisa ouvir histórias, conversar, brincar com as palavras, cantar, explorar livros, interpretar imagens, conhecer diferentes gêneros textuais, observar a escrita presente no cotidiano, criar narrativas e experimentar suas próprias formas de escrever.
A BNCC reconhece que as crianças já constroem conhecimentos sobre a cultura escrita desde muito pequenas. Por isso, cabe à escola ampliar essas experiências, oferecendo ambientes ricos em literatura, oralidade, escrita e interação.
Para o professor, fica uma orientação valiosa: planejar com intencionalidade, mas sem perder de vista a brincadeira, a curiosidade e o protagonismo infantil.
A melhor experiência de linguagem não é necessariamente aquela que apresenta mais exercícios. É aquela que permite à criança perceber que ler, falar, ouvir, imaginar e escrever fazem parte da vida.
E quando essas experiências acontecem de maneira significativa, a criança chega ao Ensino Fundamental levando consigo algo ainda mais importante do que um conjunto de letras decoradas: leva curiosidade, repertório, confiança e desejo de continuar aprendendo.
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Eliene e Leticia – Conto e movimento!
Alfabetização na Educação Infantil segundo a BNCC
A BNCC determina que a criança deve sair da Educação Infantil alfabetizada?
Não. A BNCC apresenta objetivos relacionados à oralidade, literatura, leitura, escrita espontânea, produção de histórias e compreensão da função social da escrita. A síntese das aprendizagens não deve ser entendida como pré-requisito para o acesso ao Ensino Fundamental.
É possível ensinar letras na Educação Infantil?
Sim. O contato com letras, nomes e diferentes formas de escrita pode fazer parte das experiências das crianças, especialmente quando acontece em contextos significativos. A BNCC contempla objetivos relacionados à exploração da linguagem escrita e à produção de registros espontâneos.
A escrita espontânea é importante?
Sim. O objetivo EI03EF09 prevê que as crianças levantem hipóteses sobre a linguagem escrita e realizem registros de palavras e textos por meio da escrita espontânea.
Qual campo de experiências trabalha linguagem e escrita?
O principal é “Escuta, fala, pensamento e imaginação”. Nele estão objetivos relacionados à comunicação, literatura, histórias, diferentes gêneros textuais, leitura e escrita espontânea.
Como trabalhar alfabetização de forma lúdica na Educação Infantil?
Por meio de histórias, cantigas, parlendas, brincadeiras com palavras, jogos, exploração de livros, listas, bilhetes, convites, produção coletiva de textos, dramatizações e situações de escrita espontânea. O importante é que a criança participe de experiências significativas e tenha contato com a cultura escrita em diferentes contextos.

Leticia Borges e Eliene Andrade são duas professoras apaixonadas pela educação, pela criação de materiais didáticos e pela construção de uma escola mais criativa, inclusiva e verdadeiramente significativa. Unidas pelo desejo de transformar práticas pedagógicas, partilham experiências, reflexões e recursos que inspiram educadores. Para além da sala de aula, também se aventuram no universo da literatura infantil, sendo autoras de obras como Bruxolina Narizé e Vicente e o Resgate, que encantam crianças e promovem a imaginação e o gosto pela leitura.

