Uma criança que escuta histórias aprende muito antes de conseguir ler sozinha. Ao acompanhar uma narrativa, observar ilustrações, antecipar acontecimentos, conversar sobre personagens e recontar o que ouviu, ela começa a construir conhecimentos importantes para sua formação leitora.
É nesse contexto que a literatura infantil na alfabetização assume um papel especialmente relevante. O contato frequente e significativo com livros amplia o repertório linguístico, favorece a compreensão oral, desperta a curiosidade pelas palavras e cria situações reais para que a criança perceba a função social da leitura e da escrita.
Mais do que utilizar histórias apenas como pretexto para ensinar letras e sílabas, o professor pode apresentar a literatura como uma experiência cultural e estética. A criança precisa ter oportunidade de ouvir histórias pelo prazer de ouvir, conversar sobre aquilo que sentiu, imaginar outros finais, fazer perguntas e construir interpretações.
Ao mesmo tempo, essas experiências podem dialogar com objetivos específicos da alfabetização.
Neste guia, você encontrará uma abordagem completa sobre a importância da literatura infantil durante o processo de alfabetização, sua relação com a BNCC, estratégias práticas para a sala de aula, sugestões de atividades, formas de avaliação e ideias para organizar um ambiente leitor.
O que é literatura infantil na alfabetização?
A literatura infantil compreende obras destinadas ao público infantil ou adequadas à experiência leitora das crianças, incluindo contos, poemas, parlendas, fábulas, histórias acumulativas, narrativas ilustradas, livros de imagem e outros gêneros literários.
No contexto escolar, ela pode cumprir diferentes funções.
- A primeira é oferecer à criança uma experiência de contato com a linguagem literária.
- A segunda é ampliar seu repertório cultural e linguístico.
- A terceira é criar oportunidades para desenvolver habilidades relacionadas à leitura, à oralidade e à escrita.
É importante, porém, evitar uma visão limitada segundo a qual toda história precisa resultar em uma ficha de exercícios. Uma boa prática pedagógica começa pela experiência literária. Depois, o professor pode estabelecer relações com os objetivos de aprendizagem.
Literatura não é apenas um recurso didático
Esse ponto merece atenção. Quando um livro é utilizado somente para ensinar determinada letra, uma cor ou uma sílaba, existe o risco de reduzir a experiência literária.
A criança precisa conhecer livros que despertem emoções, provoquem perguntas, apresentem personagens interessantes e permitam diferentes interpretações.
O trabalho pedagógico pode acontecer antes, durante e depois da leitura, mas a história não deve perder seu caráter literário.
Por que a literatura é importante durante a alfabetização?
O processo de alfabetização envolve a apropriação do sistema de escrita alfabética, mas também exige que a criança participe de práticas reais de leitura e escrita.
Os livros contribuem justamente para aproximar esses dois aspectos. Ao ouvir histórias, as crianças entram em contato com estruturas linguísticas que nem sempre aparecem nas conversas cotidianas.
- Conhecem palavras novas.
- Percebem diferentes formas de organizar uma narrativa.
- Observam títulos, nomes de autores e ilustradores.
- Aprendem que textos têm objetivos e características diferentes.
Tudo isso contribui para a formação de leitores.
1. Ampliação do vocabulário
Um dos benefícios mais perceptíveis é o contato com novas palavras. Durante uma leitura, o professor pode encontrar termos desconhecidos pelas crianças e conversar sobre seus significados sem interromper excessivamente a narrativa.
Por exemplo:
“Essa palavra é nova para vocês? O que vocês acham que ela significa?”
A pergunta estimula a construção de hipóteses. Depois, o professor pode explicar o significado considerando o contexto. Esse trabalho ajuda a ampliar o repertório linguístico e favorece a compreensão de textos futuros.
2. Desenvolvimento da compreensão oral
Antes de ler convencionalmente, a criança já pode demonstrar compreensão de histórias.
Ela pode:
- identificar personagens;
- reconhecer o lugar onde a narrativa acontece;
- contar o que aconteceu primeiro;
- antecipar acontecimentos;
- identificar problemas enfrentados pelos personagens;
- explicar como uma situação foi resolvida;
- relacionar a história com experiências pessoais.
Essas habilidades são importantes porque a compreensão leitora não começa somente quando a criança decodifica palavras.
3. Desenvolvimento da consciência fonológica
Textos literários também oferecem oportunidades para brincar com os sons da língua. Poemas, cantigas, parlendas e histórias rimadas são especialmente interessantes. O professor pode perguntar:
Quais palavras terminam com sons parecidos?
Que palavras rimam?
Qual palavra começa com o mesmo som de…?
Essas propostas ajudam a criança a prestar atenção à dimensão sonora das palavras. É importante que o trabalho seja realizado de maneira lúdica e contextualizada.
4. Formação do comportamento leitor
Uma criança se torna leitora também pela convivência com leitores. Por isso, o professor desempenha um papel fundamental.
Quando lê diariamente, demonstra como segura o livro, apresenta o título, comenta a história e compartilha suas impressões, ele oferece um modelo de comportamento leitor. A criança começa a perceber que:
- livros podem divertir;
- histórias podem emocionar;
- textos podem ensinar;
- podemos escolher o que queremos ler;
- podemos conversar sobre uma leitura;
- uma mesma história pode provocar diferentes interpretações.
Literatura infantil e BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) valoriza a participação das crianças em práticas de linguagem e destaca a importância da literatura no processo de formação do leitor.
No Ensino Fundamental, o componente Língua Portuguesa está organizado em práticas de linguagem que envolvem leitura/escuta, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica.
A literatura aparece, portanto, integrada às práticas de linguagem. Entre as habilidades que podem dialogar com propostas de leitura literária estão:
EF15LP02
Estabelecer expectativas em relação ao texto que será lido, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção do gênero.
Essa habilidade pode ser trabalhada antes da leitura, explorando capa, título, ilustrações e conhecimentos prévios.
EF15LP03
Localizar informações explícitas em textos.
Depois da leitura, o professor pode propor perguntas de compreensão sobre acontecimentos e personagens.
EF15LP15
Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizando-os em sua diversidade cultural.
Essa habilidade reforça justamente a necessidade de preservar a experiência estética da literatura.
EF15LP18
Relacionar texto com ilustrações e outros recursos gráficos.
Essa habilidade é especialmente relevante nos livros infantis, nos quais imagem e linguagem verbal frequentemente trabalham juntas para construir sentidos.
Além dessas habilidades, o professor pode articular atividades específicas de alfabetização às habilidades previstas para cada ano.
Para consultar a BNCC completa e outras possibilidades de aplicação pedagógica, vale conferir o conteúdo disponível no blog: Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na prática escolar (disponível para download gratuito) ou se preferir navegue no site oficial.
Como trabalhar literatura infantil na alfabetização sem transformar a leitura em exercício?
Essa é uma das principais dúvidas dos professores. A resposta está no equilíbrio. A leitura literária deve ser uma experiência em si mesma.
Depois, algumas atividades podem explorar aspectos linguísticos e pedagógicos relacionados ao texto. Uma sequência interessante pode seguir três momentos:
Antes da leitura
Explore:
- capa;
- título;
- autor;
- ilustrador;
- ilustrações;
- conhecimentos prévios;
- hipóteses sobre a história.
Pergunte:
O que vocês imaginam que acontecerá?
Quem pode ser esse personagem?
Onde será que essa história acontece?
Durante a leitura
Faça uma leitura expressiva.
Observe as reações das crianças.
Em alguns momentos, faça pequenas pausas para perguntas que realmente contribuam para a compreensão.
Evite transformar a leitura em uma sequência de interrupções.
O objetivo é manter o envolvimento com a narrativa.
Depois da leitura
Agora é possível desenvolver atividades de aprofundamento.
Entre as possibilidades estão:
- reconto;
- desenho;
- dramatização;
- conversa;
- sequência de acontecimentos;
- identificação de personagens;
- produção de frases;
- localização de palavras;
- atividades com rimas;
- produção de listas;
- criação de outro final.
10 atividades práticas com literatura infantil
1. Sacola literária
Escolha um livro e prepare uma sacola com o exemplar e materiais relacionados à narrativa. A criança pode levar a sacola para casa e compartilhar a leitura com a família. Depois, retorna à escola para contar como foi a experiência.
2. Reconto coletivo
Depois da leitura, peça que as crianças recontem a história. O professor pode organizar o reconto utilizando perguntas:
O QUE ACONTECEU PRIMEIRO?
E DEPOIS?
O QUE ACONTECEU NO FINAL?
Registre as respostas no quadro. Depois, produza coletivamente um pequeno texto.
3. Caixa surpresa
Coloque objetos relacionados à história em uma caixa. As crianças retiram um objeto e tentam relacioná-lo à narrativa. Essa estratégia é excelente para estimular memória, oralidade e compreensão.
4. Varal de personagens
Produza cartões com personagens de diferentes histórias já trabalhadas. Monte um varal literário. Cada criança pode escolher um personagem e explicar por que gosta dele.
5. Palavra do dia
Escolha uma palavra significativa da história e escreva-a em um cartaz. Explore:
- quantidade de letras;
- letra inicial;
- letra final;
- sílabas;
- significado;
- palavras que começam de maneira semelhante.
6. Detetives da história
Entregue pequenas pistas sobre a narrativa. As crianças precisam descobrir a qual personagem ou acontecimento cada pista se refere. A atividade pode ser realizada em grupos.
7. Final diferente
Depois da leitura, pergunte:
E SE A HISTÓRIA TERMINASSE DE OUTRO JEITO?
As crianças podem desenhar e escrever um novo final. Para estudantes que ainda não escrevem convencionalmente, o professor pode atuar como escriba.
8. Teatro de histórias
Transforme a narrativa em uma pequena dramatização. As crianças podem representar personagens, narradores e diferentes acontecimentos. Além da oralidade, a atividade trabalha expressão corporal, cooperação e compreensão narrativa.
9. Biblioteca da turma
Crie um espaço permanente para os livros. Não precisa ser sofisticado, pode ser uma caixa, estante baixa ou carrinho. O importante é que os livros estejam acessíveis. Organize momentos de escolha livre.
10. Diário do leitor
Cada criança pode ter um pequeno caderno para registrar suas experiências. O registro pode incluir:
NOME DO LIVRO
PERSONAGEM FAVORITO
PARTE QUE MAIS GOSTEI
DESENHO
Para crianças alfabetizadas, acrescente pequenas frases.
Como organizar uma rotina de leitura?
A constância é mais importante do que realizar atividades muito elaboradas ocasionalmente.
Uma rotina possível é:
Segunda-feira
Leitura compartilhada de uma história.
Terça-feira
Reconto e conversa sobre personagens.
Quarta-feira
Atividade relacionada às palavras ou aos sons.
Quinta-feira
Produção artística ou dramatização.
Sexta-feira
Escolha livre de livros e compartilhamento das leituras.
O planejamento pode ser adaptado à realidade de cada turma.
O papel do professor como mediador
O professor não é apenas quem lê o livro. Ele atua como mediador. Isso significa ajudar a criança a construir sentidos, fazer perguntas, apresentar novos vocabulários e estabelecer relações. Uma boa mediação não entrega todas as respostas, ela provoca a criança a pensar.
Em vez de perguntar somente:
“O que aconteceu?”
experimente:
“Por que você acha que o personagem fez isso?”
ou:
“O que poderia ter acontecido se ele tivesse escolhido outra coisa?”
Perguntas abertas favorecem a argumentação e a interpretação.
Como escolher bons livros para a turma?
A escolha do acervo merece planejamento. Considere:
Qualidade literária
Procure obras com linguagem bem construída, narrativas interessantes e propostas estéticas consistentes.
Diversidade
O acervo deve apresentar diferentes autores, personagens, culturas, realidades e perspectivas.
Ilustrações
As imagens também contam histórias. Em muitos livros, a criança consegue produzir sentidos observando elementos visuais.
Adequação
Considere idade, experiências e interesses da turma, sem restringir excessivamente a escolha.
Diversidade de gêneros
Inclua:
- contos;
- poemas;
- livros de imagem;
- fábulas;
- histórias acumulativas;
- narrativas contemporâneas;
- textos da tradição oral;
- obras de autores brasileiros.
Literatura e alfabetização: como integrar leitura e escrita?
A integração pode acontecer de forma natural. Imagine que a turma acabou de ouvir uma história sobre animais, o professor pode criar uma lista coletiva:
ANIMAIS DA HISTÓRIA
Depois, pode explorar:
Qual palavra começa com A?
Qual é a maior palavra?
Quais palavras começam com a mesma letra?
Quantas sílabas tem determinada palavra?
A atividade parte de um contexto significativo. Esse é um aspecto importante. Não se trata de abandonar o ensino sistemático da alfabetização, mas de conectá-lo às práticas reais de linguagem.
O cantinho da leitura faz diferença?

Sim, desde que seja pensado como espaço de acesso real aos livros. O cantinho pode ter:
- livros variados;
- almofadas;
- tapete;
- caixas organizadoras;
- revistas infantis;
- livros confeccionados pelas próprias crianças;
- produções da turma.
Mais importante do que a decoração é permitir que as crianças tenham contato frequente com os livros. O espaço também pode mudar conforme os projetos desenvolvidos.
Como envolver as famílias?
A parceria com as famílias pode ampliar as experiências leitoras. Uma estratégia simples é criar uma ciranda de leitura.
Toda semana, uma criança leva um livro para casa. A família pode realizar a leitura e registrar a experiência. O registro não precisa ser extenso.
Pode ser:
- um desenho;
- uma frase;
- uma fotografia;
- uma pequena mensagem;
- o nome da história.
O objetivo é criar uma ponte entre escola e família.
Como avaliar o desenvolvimento leitor?
A avaliação deve considerar o processo. O professor pode observar:
- participação nas rodas de leitura;
- capacidade de antecipar acontecimentos;
- compreensão da narrativa;
- capacidade de recontar;
- ampliação do vocabulário;
- interesse pelos livros;
- desenvolvimento da oralidade;
- reconhecimento de palavras;
- evolução da escrita;
- capacidade de relacionar texto e imagem.
Uma avaliação contínua permite identificar necessidades e planejar intervenções.
Erros que devem ser evitados
Usar toda história apenas para ensinar uma letra
Um livro pode oferecer muito mais do que uma palavra-chave.
Fazer perguntas somente de localização
Perguntas como “quem?”, “onde?” e “quando?” são importantes, mas não devem ser as únicas. Inclua questões de inferência e opinião.
Interromper excessivamente a leitura
Muitas interrupções podem quebrar o envolvimento da criança com a narrativa.
Trabalhar somente fichas
Atividades impressas podem complementar o trabalho, mas não devem substituir experiências de leitura, conversa, brincadeira e produção.
Escolher livros apenas pela quantidade de atividades possíveis
O primeiro critério deve ser a qualidade da obra.
Literatura infantil e inclusão
Uma prática leitora inclusiva precisa considerar que as crianças apresentam diferentes experiências, ritmos e formas de participação. Algumas estratégias podem ajudar:
- utilizar recursos visuais;
- fazer leitura expressiva;
- disponibilizar livros acessíveis;
- permitir diferentes formas de resposta;
- utilizar objetos e elementos concretos;
- valorizar comunicação oral, gestual e visual;
- oferecer tempo adequado para participação.
Também é importante selecionar obras que apresentem diferentes formas de viver, brincar, aprender e conviver. A diversidade deve estar presente no acervo durante todo o ano, e não apenas em datas comemorativas.
Sugestão de projeto: Mala Literária
Uma proposta que pode se transformar em projeto mensal ou anual é a Mala Literária.
Como funciona?
O professor seleciona livros adequados à faixa etária. A cada semana, uma criança leva um livro para casa. Na semana seguinte, compartilha a experiência com a turma. Pode contar:
- qual era a história;
- qual personagem chamou atenção;
- qual parte mais gostou;
- se recomendaria o livro aos colegas.
Ao longo do ano, a turma constrói um repertório de histórias. Veja o projeto completo em: Projeto Mala Literária: como incentivar a leitura e fortalecer a alfabetização –
Como transformar a leitura em uma experiência interdisciplinar?
A literatura permite conexões com diferentes componentes curriculares.
Língua Portuguesa
Leitura, oralidade, escrita e análise linguística.
Matemática
Contagem, comparação, sequência, gráficos e resolução de problemas contextualizados.
Ciências
Animais, plantas, alimentação, corpo humano e meio ambiente, dependendo da obra.
Arte
Desenho, pintura, colagem, teatro e criação de personagens.
Geografia
Espaços, lugares e modos de vida presentes nas narrativas.
O cuidado é não transformar todas as histórias em projetos interdisciplinares obrigatoriamente. Às vezes, simplesmente ler e conversar sobre uma boa história já constitui uma experiência pedagógica valiosa.
Perguntas que enriquecem a roda de leitura
Para estimular diferentes níveis de compreensão, organize perguntas variadas.
Localização
Quem era o personagem principal?
Sequência
O que aconteceu depois?
Inferência
Por que você acha que o personagem tomou essa decisão?
Relação
Essa situação lembra alguma coisa que você já viveu?
Opinião
Você faria a mesma escolha? Por quê?
Criação
Como você mudaria o final?
Esse conjunto ajuda a desenvolver uma postura mais ativa diante dos textos.
Como criar um planejamento mensal de leitura?
Uma organização simples pode facilitar a rotina.
| Semana | Foco principal | Sugestão |
|---|---|---|
| 1 | Contos | Leitura e reconto |
| 2 | Poemas | Rimas e sons |
| 3 | Livro de imagem | Narrativa oral |
| 4 | História acumulativa | Sequência e dramatização |
O professor pode registrar os títulos lidos e acompanhar o repertório da turma.
Conclusão
A literatura infantil na alfabetização não deve ser vista apenas como uma ferramenta para ensinar conteúdos. Ela é uma experiência cultural capaz de ampliar o repertório das crianças, despertar emoções, desenvolver a imaginação e aproximá-las do universo da leitura.
Na prática escolar, livros e histórias podem criar contextos ricos para trabalhar oralidade, compreensão, consciência fonológica, leitura, escrita e produção textual.
A BNCC reforça a importância das práticas de linguagem e da formação do leitor, o que coloca a literatura em um lugar relevante dentro do planejamento pedagógico.
Para o professor alfabetizador, o desafio está em encontrar equilíbrio: garantir o ensino intencional das habilidades de alfabetização sem reduzir a literatura a uma coleção de exercícios.
Uma boa história merece ser ouvida. Uma boa história merece ser discutida. E, principalmente, uma boa história pode fazer a criança perceber que ler é uma forma de conhecer o mundo, imaginar possibilidades e também conhecer a si mesma.
Por isso, quanto mais significativas forem as experiências leitoras oferecidas pela escola, maiores serão as oportunidades de formar crianças curiosas, participativas e progressivamente autônomas diante da linguagem escrita.
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Sequência Didática “O Monstro das Cores Vai à Escola”: educação emocional na prática
Projeto de Leitura e Escrita na Alfabetização
Perguntas frequentes sobre literatura infantil na alfabetização
Qual é a importância da literatura infantil na alfabetização?
Ela contribui para ampliar o repertório linguístico, desenvolver compreensão oral e leitora, estimular a imaginação, aproximar a criança dos livros e criar situações significativas de leitura e escrita.
A criança precisa saber ler para aproveitar uma história?
Não. A leitura realizada pelo professor permite que crianças ainda não alfabetizadas tenham contato com narrativas, vocabulário, estruturas textuais e diferentes experiências literárias.
Quantos livros devem ser lidos por semana?
Não existe uma quantidade única estabelecida para todas as turmas. O mais importante é garantir regularidade e qualidade nas experiências de leitura.
Toda leitura precisa gerar uma atividade escrita?
Não. A leitura literária também deve ser vivenciada pelo prazer, pela imaginação e pela construção de sentidos. Atividades escritas podem complementar determinadas propostas.
Como trabalhar literatura com crianças em diferentes níveis de alfabetização?
Mantenha a mesma experiência literária e varie os desafios. Algumas crianças podem identificar letras e palavras; outras podem produzir frases, textos, recontos ou interpretações mais complexas.

Leticia Borges e Eliene Andrade são duas professoras apaixonadas pela educação, pela criação de materiais didáticos e pela construção de uma escola mais criativa, inclusiva e verdadeiramente significativa. Unidas pelo desejo de transformar práticas pedagógicas, partilham experiências, reflexões e recursos que inspiram educadores. Para além da sala de aula, também se aventuram no universo da literatura infantil, sendo autoras de obras como Bruxolina Narizé e Vicente e o Resgate, que encantam crianças e promovem a imaginação e o gosto pela leitura.

