Atualizado em 31/08/2026 às 17:00
A contação de história é uma das experiências mais potentes para aproximar as crianças da literatura, desenvolver a linguagem e estimular a imaginação. Quando o professor utiliza a voz, os gestos, as expressões faciais e a interação com a turma, uma simples leitura pode se transformar em uma experiência envolvente e cheia de significado.
Mais do que simplesmente ler um livro em voz alta, a contação de história cria um encontro entre narrador, crianças e narrativa. É nesse espaço de troca que surgem perguntas, hipóteses, risadas, descobertas e até conversas sobre sentimentos e situações vivenciadas pelas próprias crianças.
Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, essa prática pode fazer parte da rotina escolar de diferentes maneiras: na roda de leitura, antes de uma atividade, durante um projeto literário, em momentos de acolhimento ou simplesmente como uma oportunidade para apreciar uma boa história.
E existe uma boa notícia: você não precisa de uma grande estrutura, fantasias elaboradas ou materiais caros para começar.
Uma história bem escolhida, um professor preparado e um ambiente acolhedor já podem fazer uma grande diferença. Veja também: Literatura Infantil na Alfabetização: Como Transformar Histórias em Aprendizagem
Neste artigo, você encontrará 15 dicas práticas de contação de história, desde a escolha do livro até as possibilidades de interação depois da narrativa.
O que é contação de história?
A contação de história é uma prática de narração que utiliza recursos como voz, expressão corporal, gestos, pausas, ritmo e imaginação para apresentar uma narrativa ao público.
Embora possa utilizar um livro como suporte, contar uma história não significa necessariamente realizar uma leitura literal de todas as palavras.
O contador pode conhecer previamente a narrativa e apresentá-la de maneira mais espontânea, preservando os acontecimentos principais e utilizando recursos expressivos para aproximar as crianças dos personagens e da trama.
Já a leitura em voz alta pressupõe, geralmente, que o texto escrito seja acompanhado com fidelidade. As duas práticas são valiosas.
Na escola, inclusive, elas podem se complementar. O professor pode realizar uma leitura literária respeitando o texto do autor e, em outro momento, utilizar técnicas de contação de história para narrar uma lenda, um conto tradicional ou uma história criada pela própria turma.
O mais importante é que a criança tenha contato frequente, prazeroso e significativo com diferentes narrativas.
Por que a contação de história é importante para as crianças?
Uma boa contação de história pode contribuir para diversas experiências de aprendizagem.
Enquanto escuta uma narrativa, a criança precisa acompanhar acontecimentos, observar personagens, criar imagens mentais, interpretar situações e estabelecer relações entre diferentes partes da história.
Entre as possibilidades estão:
- ampliação do vocabulário;
- desenvolvimento da oralidade;
- estímulo à imaginação;
- contato com diferentes gêneros narrativos;
- desenvolvimento da escuta;
- construção de repertório cultural;
- expressão de sentimentos;
- desenvolvimento da criatividade;
- incentivo ao hábito de leitura;
- ampliação da capacidade de argumentação;
- fortalecimento das interações sociais.
Além disso, existe uma dimensão afetiva muito importante.
Uma criança pode esquecer determinada atividade realizada durante o ano, mas guardar por muito tempo a lembrança de um professor que contava histórias de maneira especial.
Por isso, a contação de história também pode contribuir para construir memórias afetivas relacionadas à escola e aos livros.
15 dicas práticas para uma contação de história envolvente
Agora vamos ao que realmente interessa: como tornar esse momento mais interessante, participativo e significativo para as crianças?
1. Escolha a história pensando na turma
Antes de pensar na voz ou nos recursos que serão utilizados, escolha uma narrativa adequada ao seu público.
Observe:
- faixa etária;
- interesses das crianças;
- tamanho do texto;
- complexidade da narrativa;
- qualidade das ilustrações;
- possibilidade de participação;
- temas abordados;
- repertório da turma.
Crianças pequenas costumam se envolver bastante com histórias que apresentam repetição, ritmo, personagens marcantes e situações previsíveis.
Já crianças maiores podem demonstrar interesse por narrativas com mistério, humor, aventura, fantasia ou conflitos mais elaborados.
A melhor contação de história começa muito antes de abrir o livro: começa na escolha consciente da obra. Aqui você encontra sugestões interessantes: 10 Livros infantis para contar histórias na sala de aula e encantar as crianças.
2. Leia a história várias vezes antes de apresentá-la
Um dos erros mais comuns é escolher um livro e tentar contá-lo pela primeira vez diante da turma. Conheça a história antes. Leia pelo menos algumas vezes e identifique:
- começo;
- conflito;
- clímax;
- desfecho;
- personagens;
- momentos de humor;
- partes que podem gerar suspense;
- frases que merecem destaque;
- oportunidades de participação.
Esse preparo deixa o professor mais seguro. Você não precisa decorar cada palavra, mas precisa conhecer o caminho da narrativa. Quanto mais familiarizado estiver com a história, mais natural será sua contação de história.
3. Conheça os personagens
Antes da apresentação, pense em como cada personagem pode se expressar. Não é necessário fazer uma voz completamente diferente para cada um.
Pequenas mudanças já são suficientes. Um personagem pode falar mais devagar. Outro pode demonstrar entusiasmo. Um terceiro pode ter uma fala mais tímida.
Pergunte a si mesmo: Como esse personagem se sente nesta cena?
Essa pergunta ajudará a definir sua expressão, seu ritmo e sua entonação. Na contação de história, a interpretação precisa estar a serviço da narrativa, e não chamar mais atenção do que ela.
4. Use a voz como ferramenta narrativa
A voz é um dos recursos mais importantes de uma contação de história. Você pode variar:
- volume;
- velocidade;
- ritmo;
- pausas;
- entonação;
- intensidade;
- emoção.
Imagine uma cena em que o personagem está escondido. Em vez de narrar tudo rapidamente, diminua a velocidade e faça uma pequena pausa antes de revelar o que aconteceu.
Essa pausa cria expectativa. Da mesma forma, uma cena engraçada pode ganhar energia com uma mudança de ritmo.
Mas atenção: não é necessário gritar ou fazer vozes exageradas o tempo inteiro. Uma boa narrativa também sabe trabalhar o silêncio.
5. Explore as pausas e o suspense
O silêncio pode ser um excelente recurso. Imagine dizer:
“Quando João abriu a porta, ele viu…”
Pare por alguns segundos. Olhe para as crianças. Depois continue:
“…um enorme cachorro sentado no tapete.”
A pausa fez com que a turma participasse mentalmente daquele momento. Esse recurso funciona especialmente bem em histórias de suspense, surpresa ou humor.
Durante a contação de história, não tenha medo de deixar alguns segundos de silêncio. Eles também fazem parte da narrativa.
6. Utilize expressão facial e corporal
O corpo também conta histórias. Uma sobrancelha levantada pode demonstrar surpresa. Um olhar assustado pode representar medo. Um sorriso pode indicar alegria. Um movimento lento pode representar cansaço.
Você pode utilizar:
- mãos;
- braços;
- postura;
- olhar;
- expressões faciais;
- deslocamentos pelo espaço.
A expressão corporal ajuda a tornar a contação de história mais visual e pode facilitar a compreensão de crianças pequenas. Não é preciso transformar o professor em um ator profissional. O objetivo é utilizar o corpo para complementar a narrativa.
7. Crie um ambiente acolhedor
O espaço onde a história acontece também interfere na experiência. Sempre que possível, organize um cantinho confortável.
Pode ser:
- um tapete;
- algumas almofadas;
- uma pequena estante;
- uma caixa de livros;
- um painel;
- um tecido colorido;
- uma iluminação agradável.
Não é necessário mudar toda a sala. Um pequeno espaço reservado para a leitura já pode criar uma identidade para o momento. Com o tempo, as crianças podem reconhecer aquele ambiente como o lugar das histórias.
8. Utilize objetos simples
Você não precisa comprar materiais específicos para cada narrativa. Objetos do cotidiano podem ganhar novas funções.
- Um lenço pode se transformar em capa.
- Uma caixa pode virar uma casa.
- Uma colher de madeira pode representar um personagem.
- Uma folha de papel pode virar uma carta.
- Um pedaço de tecido pode representar uma floresta, um rio ou uma cortina.
Na contação de história, a criatividade do professor pode ser muito mais importante do que a quantidade de recursos disponíveis.
Veja algumas funcionalidades de objetos em sala de aula Musicalidade na Educação Infantil: 8 Tarefas com Objetos do Dia a Dia ou Projeto Musicalidade com Objetos do Cotidiano
9. Use sons para criar atmosferas
Os sons também ajudam a construir imagens. Você pode produzir sons com o próprio corpo ou utilizar objetos simples. Por exemplo:
- bater os dedos para representar chuva;
- bater os pés para representar passos;
- soprar suavemente para representar vento;
- bater duas peças de madeira para representar uma porta;
- utilizar papel para criar som de folhas.
Outra possibilidade é convidar as crianças a produzir determinados sons. Isso transforma a turma em parte da narrativa.
10. Faça perguntas antes e durante a história
A interação pode começar antes mesmo da primeira página. Mostre a capa e pergunte:
“O que vocês acham que vai acontecer?”
Depois, durante a narrativa:
“Para onde vocês acham que ele vai?”
“O que vocês fariam no lugar desse personagem?”
“Quem será que está atrás da porta?”
Essas perguntas estimulam a formulação de hipóteses. Porém, não é necessário interromper a narrativa a todo momento, as perguntas precisam ser utilizadas estrategicamente para preservar o ritmo da história.
11. Convide as crianças a repetir frases
Histórias com frases repetitivas são excelentes para uma contação de história participativa. O professor pode combinar:
“Quando eu apontar para vocês, todos repetem a frase do personagem.”
Essa estratégia funciona especialmente bem com crianças pequenas. A participação pode acontecer também por meio de:
- sons;
- gestos;
- palavras;
- expressões;
- movimentos;
- refrões.
A criança deixa de ser apenas ouvinte e passa a fazer parte da narrativa.
12. Dê espaço para a imaginação
Uma história não precisa explicar tudo. Às vezes, uma pergunta sem resposta imediata é muito mais interessante.
“Como será a casa do gigante?”
“O que será que existe atrás daquela floresta?”
“Por que o personagem tomou essa decisão?”
Permita que as crianças imaginem, não corrija imediatamente respostas criativas que não coincidem com aquilo que você havia imaginado. A literatura também é um espaço de possibilidades.
Na contação de história, a imaginação da criança é parte importante da experiência.
13. Escolha recursos de acordo com a narrativa
- Nem toda história precisa de fantoche.
- Nem toda história precisa de música.
- Nem toda história precisa de cenário.
- O recurso deve fazer sentido para a narrativa.
- Uma história sobre animais pode ganhar sons.
- Uma história sobre uma viagem pode utilizar um mapa.
- Uma narrativa sobre emoções pode utilizar cartões coloridos.
- Uma história acumulativa pode utilizar personagens confeccionados em papel.
- O segredo está em não transformar o recurso em protagonista.
- O protagonista continua sendo a história.
14. Finalize com uma conversa significativa
Depois da contação de história, reserve alguns minutos para conversar. Pergunte:
- O que vocês acharam da história?
- Qual personagem vocês mais gostaram?
- O que aconteceu primeiro?
- O que aconteceu depois?
- Qual foi a parte mais engraçada?
- Vocês mudariam o final?
- O que essa história fez vocês imaginarem?
Evite transformar imediatamente a conversa em uma sequência de perguntas com respostas certas. A roda de conversa deve permitir que as crianças expressem suas percepções.
15. Não transforme toda história em uma atividade escrita
Essa dica merece destaque. A literatura não precisa ser utilizada apenas como caminho para ensinar um conteúdo.
Uma criança também precisa ter a oportunidade de ouvir uma história simplesmente porque aquela história é bonita, divertida, emocionante ou curiosa.
Depois de uma contação de história, você pode propor uma atividade quando houver sentido pedagógico. Mas também pode simplesmente perguntar:
“Querem ouvir outra história amanhã?”
A resposta das crianças talvez seja a melhor avaliação daquele momento.
O que fazer depois da contação de história?
Quando houver intenção pedagógica, a narrativa pode continuar por meio de diferentes experiências.
Desenho
Peça que a criança desenhe a cena de que mais gostou.
Reconto
Convide a turma a reconstruir oralmente a sequência da história.
Dramatização
Distribua personagens e permita que as crianças representem determinadas cenas.
Produção textual
Nos anos iniciais, a turma pode produzir uma nova versão do final ou escrever uma pequena narrativa inspirada na história.
Música
Crie uma música ou paródia relacionada aos personagens.
Movimento
Proponha que as crianças representem corporalmente diferentes personagens.
Artes visuais
Confeccione máscaras, fantoches ou cenários.
Sequência de imagens
Disponibilize imagens dos principais acontecimentos para que as crianças organizem a sequência narrativa.
Essas propostas ampliam a experiência sem perder a história como ponto de partida.
Contação de história na Educação Infantil
Na Educação Infantil, a contação de história pode fazer parte da rotina de maneira muito natural. Ela pode acontecer:
- na acolhida;
- antes do descanso;
- depois de uma brincadeira;
- durante a roda;
- em projetos;
- em momentos de transição;
- no cantinho da leitura;
- em atividades de musicalização.
Para crianças pequenas, histórias com repetição, ritmo, imagens expressivas e personagens marcantes costumam favorecer a participação.
Também é importante respeitar o tempo de concentração da turma. Uma narrativa muito longa pode ser dividida em partes, dependendo da idade e do interesse das crianças.
Contação de história e alfabetização
A literatura também pode contribuir para o trabalho de alfabetização. Ao ouvir histórias regularmente, a criança entra em contato com diferentes estruturas narrativas, palavras, expressões e formas de organização do discurso.
Durante a leitura, ela pode:
- observar a capa;
- reconhecer o título;
- identificar personagens;
- acompanhar a sequência;
- antecipar acontecimentos;
- recontar partes;
- ampliar o vocabulário;
- perceber relações entre texto e imagem.
Nos anos iniciais, essas experiências podem dialogar com propostas de leitura e produção textual. Entretanto, é importante preservar o prazer da leitura.
A contação de história não deve ser reduzida a uma estratégia para preencher fichas ou responder questionários.
Contação de história e desenvolvimento da oralidade
Contar e ouvir histórias cria oportunidades reais de comunicação.
Quando as crianças comentam o que entenderam, fazem perguntas, antecipam acontecimentos e recontam episódios, estão utilizando a linguagem para organizar pensamentos e interagir com outras pessoas.
Por isso, depois da narrativa, vale dar tempo para que elas falem. Algumas crianças participarão imediatamente, outras precisarão de mais tempo.
O professor pode acolher diferentes formas de participação sem obrigar todos a falar diante do grupo.
Contação de história e desenvolvimento socioemocional
As histórias também permitem abordar situações relacionadas às emoções e aos relacionamentos.
- Um personagem pode sentir medo.
- Outro pode ficar triste.
- Alguém pode enfrentar um conflito.
- Outro pode descobrir uma maneira de resolver determinado problema.
Essas situações podem abrir espaço para conversas sobre empatia, amizade, respeito e convivência. O professor pode perguntar:
“Como você acha que esse personagem se sentiu?”
Essa pergunta é diferente de simplesmente pedir:
“Qual é a emoção?”
A primeira convida a criança a interpretar a situação.
Como organizar uma rotina de contação de história?
A frequência é mais importante do que criar uma grande produção. Uma rotina simples pode funcionar muito bem:
Segunda-feira
Apresentação de uma nova história.
Terça-feira
Reconto oral pelas crianças.
Quarta-feira
Exploração das ilustrações e dos personagens.
Quinta-feira
Dramatização ou atividade artística.
Sexta-feira
Escolha coletiva de uma história para encerrar a semana.
Essa é apenas uma possibilidade. O planejamento pode ser adaptado à realidade de cada turma. O essencial é garantir que os livros façam parte do cotidiano.
Como superar o medo de contar histórias?
Alguns professores gostam muito de ler, mas ficam inseguros quando precisam fazer uma apresentação mais expressiva.
Isso é completamente normal, você não precisa começar fazendo uma grande performance. Comece com pequenas mudanças:
- leia previamente a história;
- identifique as falas dos personagens;
- varie discretamente a entonação;
- utilize algumas expressões faciais;
- faça pausas;
- observe a reação da turma;
- experimente novos recursos aos poucos.
Com a prática, a contação de história se torna cada vez mais natural.
E lembre-se: as crianças não estão esperando uma apresentação profissional. Elas querem ouvir uma boa história e compartilhar esse momento com você.
Erros que podem prejudicar uma contação de história
Mesmo com boa intenção, alguns comportamentos podem diminuir o envolvimento da turma.
Ler rápido demais
A pressa dificulta a compreensão e reduz o impacto das cenas.
Exagerar nas vozes
Se todas as falas forem muito caricatas, a narrativa pode ficar cansativa.
Interromper o tempo todo
Perguntas são importantes, mas interrupções excessivas quebram o ritmo.
Utilizar recursos demais
Muitos objetos podem distrair as crianças do próprio enredo.
Fazer perguntas com respostas obrigatórias
A literatura permite diferentes interpretações.
Transformar toda leitura em tarefa
Nem toda história precisa gerar uma atividade.
Evitar esses erros ajuda a tornar a contação de história mais fluida e prazerosa.
Como escolher bons livros para contação de história?
Ao montar sua biblioteca, procure diversificar. Inclua:
- contos tradicionais;
- literatura brasileira;
- histórias contemporâneas;
- poesia infantil;
- livros ilustrados;
- narrativas acumulativas;
- histórias com humor;
- histórias sobre diversidade;
- livros sem texto verbal;
- obras de diferentes autores e ilustradores.
Uma biblioteca diversificada amplia o repertório literário das crianças.
Se você está procurando sugestões de obras para utilizar na sala, confira também nosso artigo: 10 Livros infantis para contar histórias na sala de aula
Contação de história e BNCC
A contação de história pode dialogar com diferentes experiências de aprendizagem previstas para a Educação Infantil. Um dos campos de experiências especialmente relacionado à literatura é:
Escuta, fala, pensamento e imaginação.
A experiência com histórias também pode se relacionar a outros campos, dependendo da proposta desenvolvida pelo professor. Por exemplo:
- O eu, o outro e o nós: relações, sentimentos e convivência;
- Escuta, fala, pensamento e imaginação: linguagem, narrativa e imaginação;
- Traços, sons, cores e formas: ilustrações, música e produções artísticas;
- Corpo, gestos e movimentos: dramatização e expressão corporal;
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: situações envolvendo sequência, espaço, tempo e quantidades.
O importante é que a atividade seja planejada a partir da experiência da criança e não apenas para “encaixar” uma habilidade.
Uma sugestão de roteiro para sua próxima contação
Se você precisa de um roteiro simples, experimente esta sequência:
Antes
- Escolha o livro e leia previamente.
- Observe a capa e as ilustrações.
- Separe apenas os recursos que realmente serão necessários.
Início
- Apresente o livro.
- Mostre a capa.
- Converse brevemente sobre o que as crianças imaginam.
Desenvolvimento
- Comece a narrativa.
- Use voz, pausas, gestos e expressões.
- Convide as crianças a participar nos momentos apropriados.
Clímax
- Diminua o ritmo quando houver suspense.
- Faça uma pausa antes de uma revelação importante.
Final
- Finalize a história sem pressa.
- Mostre novamente as ilustrações, se fizer sentido.
Depois
- Abra espaço para comentários espontâneos.
- Só então proponha uma atividade, caso exista um objetivo pedagógico relacionado.
Esse roteiro pode ser adaptado para praticamente qualquer contação de história.
A importância da formação do contador de histórias

A prática de contar histórias pode ser aperfeiçoada continuamente. O professor pode observar outros contadores, participar de formações, conhecer novos autores, experimentar diferentes recursos e, principalmente, refletir sobre suas próprias experiências.
Uma referência interessante relacionada ao tema é o livro Educação e o ensino contemporâneo: práticas, discussões e relatos de experiências, volume 18, capítulo 4, intitulado “A Arte de Narrar Histórias”.
Você pode consultar a obra pelo Google Books: Educação e o ensino contemporâneo: práticas, discussões e relatos de experiências
Checklist rápido antes de começar
Antes da próxima contação de história, confira:
- Escolhi uma história adequada à turma?
- Li o livro previamente?
- Conheço os personagens?
- Identifiquei os momentos de suspense ou humor?
- Pensei na entonação?
- Organizei o espaço?
- Separei somente os recursos necessários?
- Sei onde posso fazer pausas?
- Planejei momentos de participação?
- Reservei tempo para conversar depois?
- Evitei transformar a experiência literária em uma obrigação?
Se a maioria das respostas for “sim”, você já tem uma excelente base para começar.
Conclusão: contar histórias é criar encontros
Uma boa contação de história não depende de uma sala perfeita, de materiais sofisticados ou de uma performance profissional. Ela começa com uma boa história e cresce por meio da presença do professor.
- É a voz que cria expectativa.
- É o silêncio que provoca curiosidade.
- É o olhar que acompanha a reação da criança.
- É o gesto que dá vida ao personagem.
- É a pergunta que faz surgir uma hipótese.
- É a imaginação que continua trabalhando depois que o livro é fechado.
Por isso, se você deseja tornar suas rodas de leitura mais significativas, comece pequeno. Escolha uma história que você realmente goste, conheça a narrativa, experimente uma mudança na voz e permita que as crianças participem.
Com o tempo, você descobrirá seu próprio jeito de narrar. E talvez a maior recompensa da contação de história seja perceber que, depois de ouvir uma narrativa envolvente, a criança começa a pedir:
“Conta outra?”
Esse pedido é um excelente convite para continuar. No Conto e Movimento, continuaremos compartilhando propostas, atividades e ideias para ajudar professores a transformar a literatura em experiências significativas para as crianças.
Um forte abraço,
Eliene e Leticia – Conto e Movimento!
Perguntas frequentes sobre contação de história
O que é contação de história?
A contação de história é uma forma de apresentar uma narrativa utilizando recursos expressivos como voz, entonação, pausas, gestos, expressão corporal e interação com o público. Pode utilizar um livro como apoio, mas não depende necessariamente da leitura literal do texto.
Como fazer uma contação de história para crianças?
Comece escolhendo uma história adequada à idade e aos interesses da turma. Leia previamente, conheça os personagens, organize o espaço e planeje como utilizar voz, gestos e pausas. Durante a narrativa, permita a participação das crianças sem interromper excessivamente o ritmo.
Quais recursos podem ser usados na contação de história?
Podem ser utilizados livros, fantoches, objetos do cotidiano, tecidos, máscaras, instrumentos musicais, sons corporais, imagens e elementos de cenário. Entretanto, os recursos devem complementar a narrativa e não competir com ela.
Qual é a importância da contação de história na Educação Infantil?
A contação de história favorece experiências relacionadas à linguagem, oralidade, imaginação, escuta, criatividade e interação social. Também pode criar oportunidades para conversar sobre sentimentos, relações, diversidade e situações do cotidiano.
Toda contação de história precisa ter uma atividade depois?
Não. A criança também precisa vivenciar a literatura pelo prazer de ouvir e imaginar. Quando houver um objetivo pedagógico, a história pode ser ampliada com desenho, reconto, dramatização, música ou produção textual. Porém, nem toda leitura precisa terminar em uma atividade.

Leticia Borges e Eliene Andrade são duas professoras apaixonadas pela educação, pela criação de materiais didáticos e pela construção de uma escola mais criativa, inclusiva e verdadeiramente significativa. Unidas pelo desejo de transformar práticas pedagógicas, partilham experiências, reflexões e recursos que inspiram educadores. Para além da sala de aula, também se aventuram no universo da literatura infantil, sendo autoras de obras como Bruxolina Narizé e Vicente e o Resgate, que encantam crianças e promovem a imaginação e o gosto pela leitura.


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