O Dia das Crianças com música pode se transformar em uma experiência muito mais significativa quando cantar, brincar, movimentar o corpo e aprender fazem parte da mesma proposta pedagógica.
Para as crianças em fase de alfabetização, atividades musicais são especialmente interessantes porque permitem explorar oralidade, ritmo, memória, sequência, vocabulário, percepção sonora e expressão corporal de maneira lúdica. E o melhor: tudo isso pode acontecer enquanto a turma brinca e participa ativamente da aula.
Pensando nisso, preparamos uma seleção especial de atividades para o Dia das Crianças com música, reunindo cantigas e brincadeiras que fazem parte do universo infantil.
O material traz propostas inspiradas em músicas e parlendas como O Foguete Vai Subindo, A História da Tartaruguinha, Agora é Hora de Lanchar, Olá, Como Vai Você?, O Cara Quadrado, Caranguejo Não é Peixe, O Pião Entrou na Roda, Samba Lelê, A Barata Diz que Tem e Borboletinha.
Além de cantar, os alunos poderão contar, pintar, relacionar imagens, completar sequências, desenhar, observar movimentos e desenvolver diferentes habilidades importantes para a alfabetização.
Neste artigo, você vai conhecer cada atividade e também encontrará sugestões práticas para aproveitar o material em sala de aula.
Por que trabalhar o Dia das Crianças com música?
O Dia das Crianças costuma ser associado a brincadeiras, festas e momentos de descontração. Entretanto, a data também pode proporcionar experiências pedagógicas significativas.
A música cria uma ponte muito natural entre aprendizagem e ludicidade.
Quando uma criança acompanha uma canção conhecida, por exemplo, ela precisa ouvir, antecipar palavras, perceber repetições, memorizar sequências e relacionar sons, gestos e significados.
Quando acrescentamos movimentos corporais e atividades impressas a essa experiência, ampliamos ainda mais as possibilidades.
Assim, uma proposta de Dia das Crianças com música não precisa se limitar ao momento de cantar. A música pode ser o ponto de partida para atividades envolvendo:
- oralidade;
- leitura;
- percepção sonora;
- consciência corporal;
- coordenação motora;
- atenção;
- memória;
- sequência lógica;
- contagem;
- percepção visual;
- criatividade;
- desenho;
- interação entre os alunos.
O resultado é uma aula dinâmica na qual a criança participa de diferentes maneiras. Continue aprendendo conosco: Por que usar músicas na alfabetização? Entenda os benefícios e veja como usar em sala de aula.
Dia das Crianças com música e a BNCC
A utilização pedagógica da música encontra respaldo na Base Nacional Comum Curricular. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a BNCC contempla, no componente Arte, experiências relacionadas à apreciação musical, exploração do ritmo, brincadeiras, canções, fontes sonoras e movimentos corporais.
Entre as habilidades que podem dialogar com as propostas deste material estão:
EF15AR13 – relacionada à identificação e apreciação de diferentes formas e gêneros de expressão musical.
EF15AR14 – envolve perceber e explorar elementos constitutivos da música, como ritmo, intensidade, timbre e melodia, utilizando jogos, brincadeiras e canções.
EF15AR15 – contempla a exploração de diferentes fontes sonoras, inclusive aquelas produzidas pelo próprio corpo, como voz, palmas e percussão corporal.
EF15AR17 – possibilita experiências de improvisação, composição e sonorização utilizando voz, sons corporais e instrumentos.
Dessa maneira, cantar, acompanhar ritmos, realizar movimentos e explorar sons não deve ser entendido apenas como entretenimento. Essas experiências podem integrar intencionalmente o planejamento pedagógico e favorecer diferentes aprendizagens.
Para consultar a BNCC completa e outras possibilidades de aplicação pedagógica, vale conferir o conteúdo disponível no blog: Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na prática escolar (disponível para download gratuito) ou se preferir navegue no site oficial.
10 atividades para trabalhar música, movimento e alfabetização
O material foi organizado para que cada música proporcione uma experiência diferente. A ideia não é simplesmente entregar a folha impressa para a criança.
Antes de realizar cada atividade, vale cantar, brincar, conversar e explorar os movimentos indicados pela música. Depois dessa vivência, a turma pode realizar o registro no papel.
1. O Foguete Vai Subindo
A primeira proposta utiliza a música O Foguete Vai Subindo. Além do forte apelo visual do foguete e do espaço, a atividade permite trabalhar elementos presentes na música e explorar a sequência numérica.
As crianças podem identificar e pintar elementos como foguete, astronauta, estrela, lua e planeta. Depois, realizam uma atividade de contagem e completam os números que aparecem antes e depois na sequência apresentada.
Há ainda uma proposta de observação para encontrar diferenças entre duas imagens e uma atividade de coordenação motora na qual a criança completa o foguete e pode colori-lo.
Sugestão para ampliar a atividade
Antes da folha impressa, faça uma contagem regressiva com a turma. Todos podem se agachar enquanto contam:
10, 9, 8, 7…
Ao chegar ao número 1, as crianças levantam os braços e simulam o lançamento do foguete. Além de divertido, esse momento trabalha sequência numérica, atenção e movimento corporal.
2. A História da Tartaruguinha
A próxima atividade parte da divertida História da Tartaruguinha. Depois de cantar e acompanhar a narrativa, os alunos observam diferentes cenas e devem numerá-las conforme a ordem em que aparecem na música.
Essa proposta é muito interessante para desenvolver a capacidade de compreender uma sequência de acontecimentos. Em seguida, as crianças observam personagens e cenários e precisam identificar onde cada um aparece na história.
Para finalizar, há espaço para desenhar como ficou a tartaruguinha no final.
O que podemos explorar?
O professor pode conversar com a turma sobre:
- início, meio e fim;
- personagens;
- acontecimentos;
- ordem dos fatos;
- compreensão oral;
- memória.
Essa dinâmica aproxima a música do trabalho com narrativas, algo muito importante durante a alfabetização.
3. Agora é Hora de Lanchar
Quem disse que a hora do lanche não pode fazer parte das experiências de aprendizagem? Na atividade Agora é Hora de Lanchar, as crianças cantam uma pequena música relacionada ao momento da alimentação.
Depois, observam diferentes alimentos e identificam quais podem fazer parte de um lanche. A proposta também apresenta um caminho pontilhado até a lixeira e situações para que os alunos reconheçam atitudes adequadas e inadequadas, como jogar o lixo no local correto.
Amplie a conversa
Aproveite para perguntar:
“Quais alimentos vocês costumam trazer para o lanche?”
“O que devemos fazer com as embalagens depois de comer?”
“Como podemos deixar nossa sala limpa?”
Assim, uma brincadeira musical pode abrir espaço para conversar sobre alimentação, cuidado com o ambiente e responsabilidade coletiva.
4. Olá, Como Vai Você?
A atividade Olá, Como Vai Você? combina música, gestos e interação. A letra convida as crianças a realizar movimentos como bater palmas, dar as mãos e oferecer um abraço.
Depois de vivenciar a música, os alunos observam imagens dos movimentos e organizam sua sequência. Outra proposta pede que relacionem palavras e expressões aos movimentos correspondentes.
Para finalizar, há um espaço para desenhar uma brincadeira que a criança gosta de realizar com um amigo ou amiga.
Uma atividade que favorece a convivência
Essa é uma excelente oportunidade para conversar sobre amizade, respeito e convivência. Pergunte:
“Como podemos receber um colega?”
“Quais brincadeiras podemos fazer juntos?”
“Como demonstramos carinho e respeito pelos amigos?”
O registro final pode resultar em uma bonita exposição sobre as brincadeiras preferidas da turma.
5. O Cara Quadrado
A música O Cara Quadrado transforma as partes do rosto em uma brincadeira divertida. Os alunos acompanham a música e identificam elementos como:
- olhos;
- boca;
- nariz;
- pescoço;
- ombros;
- chapéu;
- lacinho.
Depois, relacionam cada parte do rosto ao lugar correto no personagem. Para completar, podem desenhar e colorir seu próprio “cara quadrado”.
Trabalhando esquema corporal
Antes da atividade impressa, cante lentamente e peça às crianças que apontem no próprio corpo cada parte mencionada. Outra possibilidade é brincar diante de um espelho.
Esse tipo de experiência contribui para a percepção corporal e amplia o vocabulário.
6. Caranguejo Não é Peixe
A conhecida cantiga Caranguejo Não é Peixe aparece em uma proposta especialmente interessante para trabalhar ritmo e movimento.
As crianças observam imagens de movimentos presentes na música, como bater palmas, bater o pé e rodar. Depois, precisam contar quantas vezes determinados movimentos aparecem.
A atividade termina com um espaço para desenhar a criança e seus amigos brincando com a música.
Transforme a turma em uma brincadeira musical
Organize as crianças em roda. Primeiro, todos cantam normalmente. Na segunda vez, escolha um movimento para destacar.
Na terceira, faça uma pausa antes do movimento e deixe que as crianças descubram o que precisam fazer. Além de estimular atenção e memória, a dinâmica torna a aprendizagem muito divertida.
7. O Pião Entrou na Roda
Com O Pião Entrou na Roda, o foco está no movimento e no andamento. A atividade apresenta trajetos para que as crianças percebam diferenças entre movimentos mais lentos e mais rápidos.
Também é possível pintar os piões de acordo com o andamento indicado e desenhar o movimento do pião enquanto a música toca.
Experimente velocidades diferentes
Cante uma vez devagar. Depois, cante mais rápido. Pergunte:
“O que mudou?”
“Foi mais fácil acompanhar rápido ou devagar?”
“O nosso corpo também mudou a velocidade dos movimentos?”
Esse tipo de comparação ajuda a criança a perceber características da música por meio de uma experiência concreta.
8. Samba Lelê
A atividade Samba Lelê coloca o corpo no centro da aprendizagem. A música envolve movimentos corporais, e a proposta convida os alunos a observar uma sequência e reproduzi-la.
Depois, cada criança cria sua própria sequência de quatro movimentos. Esse momento é especialmente rico porque deixa de ser apenas reprodução e passa a envolver criação.
Crie uma coreografia coletiva
Escolha algumas sequências criadas pelos alunos e monte uma coreografia da turma. Cada criança pode apresentar sua sequência.
Depois, todos tentam reproduzi-la. É uma maneira simples de trabalhar memória, organização, criatividade, expressão corporal e participação.
9. A Barata Diz que Tem
A tradicional A Barata Diz que Tem também faz parte da seleção. Na atividade, as crianças observam instrumentos musicais e relacionam cada imagem ao nome correspondente.
Em seguida, precisam escolher qual instrumento utilizariam para acompanhar a cantiga e explicar sua escolha por meio de desenho e pintura.
Outra proposta apresenta objetos variados para que as crianças identifiquem quais deles podem produzir sons.
Faça uma investigação sonora
Antes de responder à atividade, coloque alguns objetos sobre uma mesa. Por exemplo:
- colher;
- pote;
- lápis;
- caixa;
- copo plástico.
Pergunte:
“Será que conseguimos produzir música com esses objetos?”
Deixe que as crianças experimentem diferentes sons. Esse momento transforma a atividade impressa em uma pequena investigação musical.
10. Borboletinha
Para completar a sequência, temos a querida Borboletinha. A atividade trabalha percepção sonora por meio das palavras forte e fraco.
As crianças observam diferentes borboletas e pintam de acordo com a indicação de intensidade sonora. Depois, podem cantar trechos da música com diferentes intensidades.
Ao final, há espaço para desenhar enquanto cantam.
Brinque com a intensidade da voz
O professor pode fazer combinações. Mãos abertas significam cantar forte. Mãos próximas significam cantar mais baixo.
Depois, uma criança pode assumir o papel de “maestro” e comandar a turma. É uma brincadeira simples que ajuda a perceber variações sonoras enquanto estimula atenção e autocontrole.
Como organizar essas atividades durante a Semana da Criança?
Não é necessário realizar todas as propostas em um único dia. Na verdade, distribuí-las durante a semana pode tornar a experiência ainda mais interessante.
Uma possibilidade é selecionar duas músicas por dia. Comece com uma roda musical, faça os movimentos, converse sobre a letra e somente depois entregue a atividade correspondente.
Você pode organizar a rotina em três momentos.
Momento 1 – Vamos cantar
Apresente a música e permita que as crianças simplesmente cantem e se divirtam.
Momento 2 – Vamos brincar
Explore movimentos, gestos, ritmo, sequência ou objetos relacionados à canção.
Momento 3 – Vamos registrar
Entregue a atividade impressa. Nesse momento, aquilo que foi vivenciado corporal e oralmente passa a ser representado no papel. Essa organização evita que a proposta se transforme apenas em uma ficha para preencher.
Como usar as atividades com crianças em diferentes níveis de alfabetização?
Uma mesma turma pode apresentar níveis bastante diferentes de leitura e escrita. Por isso, as orientações podem ser adaptadas.
Para crianças que ainda estão iniciando o processo de alfabetização, o professor pode ler os comandos em voz alta e utilizar as imagens como apoio.
Para alunos que já apresentam maior autonomia, os enunciados podem ser lidos individualmente ou em duplas. Também é possível escrever no quadro palavras retiradas das músicas e explorá-las coletivamente.
Por exemplo:
BORBOLETA
PIÃO
BARATA
FOGUETE
PEIXE
MÚSICA
Peça aos alunos que observem letras iniciais, finais, quantidade de letras, palavras que começam da mesma maneira e outras características adequadas aos objetivos da turma.
Assim, as músicas também podem funcionar como ponto de partida para diferentes situações de reflexão sobre a escrita.
Por que unir música e alfabetização?
A alfabetização não acontece apenas quando a criança está diante de uma lista de palavras ou de um texto escrito. A linguagem oral, a escuta, a memória, a interação e o repertório cultural também participam desse processo.
As cantigas infantis apresentam características particularmente interessantes: ritmo, repetição, previsibilidade e palavras que muitas crianças já conhecem oralmente.
Quando o professor aproveita esse repertório e cria situações de leitura, observação, movimento e registro, estabelece conexões entre aquilo que a criança já conhece e novas aprendizagens.
Além disso, o caráter lúdico favorece a participação.
Por isso, trabalhar o Dia das Crianças com música pode ser muito mais do que preparar uma comemoração. Pode ser uma oportunidade para construir experiências significativas de aprendizagem.
Dia das Crianças com música: aprender também pode ser uma grande brincadeira
Celebrar a infância na escola também significa reconhecer a maneira como a criança aprende: brincando, experimentando, cantando, movimentando-se, imaginando e interagindo com outras crianças.
Por isso, estas atividades para o Dia das Crianças com música foram pensadas para unir diversão e intencionalidade pedagógica.
O foguete convida a contar. A tartaruguinha ajuda a organizar acontecimentos. O pião apresenta diferentes velocidades. O caranguejo coloca o corpo em movimento. Samba Lelê estimula a criação de sequências. A Barata Diz que Tem abre espaço para investigar instrumentos e objetos sonoros. E Borboletinha permite brincar com diferentes intensidades da voz.
São experiências simples, mas cheias de possibilidades.
Escolha as músicas, organize uma roda com seus alunos, deixe a turma cantar e se movimentar e, depois, utilize as atividades para registrar aquilo que foi vivenciado.
Porque uma aprendizagem significativa também pode começar com uma música, uma roda e muitas crianças felizes participando juntas.
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Um forte abraço,
Eliene e Leticia – Conto e movimento!
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Perguntas frequentes sobre o Dia das Crianças com música
Como trabalhar o Dia das Crianças com música na alfabetização?
Uma boa estratégia é selecionar cantigas conhecidas pelas crianças, explorar oralmente as letras, realizar gestos e movimentos e, posteriormente, propor atividades envolvendo sequência, leitura de imagens, desenho, contagem e reconhecimento de palavras.
Quais músicas podem ser usadas no Dia das Crianças?
Cantigas e músicas infantis com movimentos são excelentes opções. Neste material aparecem propostas com O Foguete Vai Subindo, Caranguejo Não é Peixe, O Pião Entrou na Roda, Samba Lelê, A Barata Diz que Tem, Borboletinha e outras brincadeiras musicais.
Quais habilidades podem ser desenvolvidas com brincadeiras musicais?
Dependendo da proposta, é possível trabalhar percepção sonora, ritmo, expressão corporal, oralidade, memória, atenção, coordenação motora, sequência lógica, criatividade e habilidades relacionadas à alfabetização.
As atividades musicais estão relacionadas à BNCC?
Sim. Nos anos iniciais, habilidades do componente Arte, como EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15 e EF15AR17, contemplam experiências envolvendo música, ritmo, brincadeiras, canções, fontes sonoras, voz e sons corporais.
Como adaptar as atividades para crianças que ainda não leem?
Leia os comandos em voz alta, explore as imagens, faça demonstrações dos movimentos e realize a atividade coletivamente antes do registro individual. Dessa forma, todos podem participar respeitando seu momento no processo de alfabetização.

Leticia Borges e Eliene Andrade são duas professoras apaixonadas pela educação, pela criação de materiais didáticos e pela construção de uma escola mais criativa, inclusiva e verdadeiramente significativa. Unidas pelo desejo de transformar práticas pedagógicas, partilham experiências, reflexões e recursos que inspiram educadores. Para além da sala de aula, também se aventuram no universo da literatura infantil, sendo autoras de obras como Bruxolina Narizé e Vicente e o Resgate, que encantam crianças e promovem a imaginação e o gosto pela leitura.











